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frye:escada

Escada de Jacó

FRYE, Northrop. Northrop Frye on religion: excluding “The great code” and “Words with power”. Toronto [Ont.]: University of Toronto press, 2000.

VIDE: JACÓ

Repetições do sonho de Jacó

  • A escolha do título da exposição Ladders to Heaven inspirou a abordagem sobre imagens e símbolos universais como a escada, cuja referência principal provém do sonho de Jacó no livro de Gênesis.
    • Exposição realizada na Galeria Nacional em Ottawa, de 19 de agosto a 16 de outubro.
    • Acervo composto por artefatos do Oriente Médio e da região do Mediterrâneo do período de 5000 a.C. a cerca de 500 d.C., incluindo selos, marfins, mosaicos e cerâmicas.
    • Relato bíblico em Gênesis 28:10—17 sobre a viagem de Jacó até Luz, onde dormiu com a cabeça apoiada em uma pedra.
    • Tradição de que a pedra do sonho de Jacó permanece sob o trono em Westminster.
    • Visão de uma escada que estendia da terra ao céu, com anjos subindo e descendo por ela.
    • Expressão de Jacó ao despertar pela manhã, traduzida na Versão Autorizada como: Como este lugar é terrível!
    • Significado de santidade associado ao temor e à reverência diante do sagrado.
    • Promessa de Jacó de erguer um altar no local, chamando-o de casa de Deus e porta do céu.
  • O episódio do sonho de Jacó altera o nome do local para Bethel e apresenta elementos que o vinculam a tradições sagradas pré-israelitas e a símbolos de conexão divina comuns no antigo Oriente Próximo.
    • Significado do nome Bethel como casa de Deus, em substituição a Luz.
    • Origem provável do local associada a monumentos megalíticos ou pedras sagradas de grandes dimensões.
    • Natureza da escada como uma estrutura vinda do céu e não uma construção humana.
    • Configuração da escada como uma escadaria, dado o fluxo bidirecional dos anjos.
    • Opção de Jacó por edificar um altar modesto em vez de um templo edificado.
    • Centralidade e altura dos templos mesopotâmicos na ligação simbólica com o mundo dos deuses no céu.
    • Templos na Mesopotâmia construídos no formato de zigurates com várias camadas recuadas, geralmente sete.
    • Presença de escadarias espirais nos zigurates e menção a escadas sinuosas no templo de Salomão, apesar de este ter apenas três andares.
    • Relato de Heródoto sobre templos na Pérsia com sete andares e sete lances de escadas coloridas para simbolizar os sete planetas conhecidos, incluindo o sol e a lua.
    • Câmara no topo do templo persa destinada à noiva do deus à espera de sua descida.
    • Mito de Dânae, encerrada em uma torre e fecundada por Zeus em forma de chuva de ouro, associado ao mesmo padrão simbólico.
    • Pirâmides de degraus no Egito e menção nos Textos das Pirâmides à subida de uma escadaria como etapa crucial da jornada do Faraó após a morte.
  • A importância do último degrau de uma escada reflete-se no termo grego klimax e diferencia a perspectiva bíblica, que enfatiza a iniciativa divina, da abordagem de outras culturas e do mito de Babel.
    • Origem da palavra clímax a partir do vocábulo grego para escada.
    • Atribuição ao deus egípcio Osíris, juiz dos mortos, do antigo epíteto de o deus no topo da escadaria.
    • Ênfase das nações consideradas pagãs na construção humana que aponta para o céu.
    • Sátira a essa presunção humana no relato da Torre de Babel em Gênesis 11:1—9, cuja obra foi interrompida pela dispersão das línguas.
    • Etimologia de Babel derivada de balal, significando confusão, em contraste com o significado real de portal de Deus.
    • Representações pictóricas de Babel por Brueghel e do sonho de Jacó por Blake que adotam a forma espiral, embora o texto bíblico não a explicite.
    • Agrupamento de imagens de escadas, torres e degraus espirais com o sentido simbólico de transição para um estado superior de existência.
    • Concepção mitológica da Terra como terra média, situada entre um mundo superior e outro inferior.
    • Variações da torre simbólica na forma de montanha ou de árvore do mundo, atuando como o axis mundi em torno do qual o universo gira.
    • Justificativa para a universalidade desses símbolos baseada na incapacidade física do homem de voar, restando-lhe apenas o ato de escalar.
    • Crítica às teorias de preservação de memória racial sobre visitantes de outros planetas em naves espaciais.
    • Simbolismo dos planetas como uma escadaria celeste no culto ao sol persa do Mitraísmo, rival do cristianismo primitivo.
    • Sete graus de ascensão pós-morte associados aos planetas no Mitraísmo.
    • Vulnerabilidade do Mitraísmo face à revolução copernicana na astronomia devido ao enraizamento dessa cosmologia planetária.
  • A literatura de Dante e Milton retoma o agrupamento simbólico da ascensão, enfatizando a necessidade da graça e do poder divino em oposição à arrogância das tentativas humanas.
    • Configuração do Purgatório em Dante como uma montanha de sete andares onde os pecados capitais desaparecem a cada volta.
    • Encontro de Dante com Matilda no topo da montanha, no jardim do Éden, onde Virgílio deixa o papel de guia e Beatriz assume a liderança.
    • Presença de elementos femininos na imagem que remetem à figura da noiva do deus no topo da torre.
    • Escalada subsequente pelas esferas planetárias no Paradiso de Dante.
    • Aparição da escada de Jacó na esfera de Saturno, simbolizando o trecho final da jornada em direção à luz eterna.
    • Condução da subida de Dante pela graça divina manifestada em Beatriz, caracterizando a doutrina cristã.
    • Intensificação da iniciativa divina na obra de Milton.
    • Descrição do paraíso dos tolos no terceiro livro do Paraíso Perdido, situado na superfície do primum mobile, destino dos que tentam tomar o Reino dos Céus pela força ou pela fraude.
    • Alusão à Torre de Babel como o arquétipo que precede a descrição de Milton.
    • Visão das escadas estendidas do céu à terra semelhantes às do sonho de Jacó, manejadas conforme a vontade de Deus.
    • Chegada de Satã a um degrau inferior durante sua viagem ao Éden, de onde desce para a terra através dos planetas.
  • A tradição religiosa baseada na escada de Jacó postula que a conexão cósmica depende da ação divina motivada pelo amor, enquanto tentativas humanas inversas e narrativas folclóricas apontam para o fracasso da arrogância.
    • Fundamento da ação divina no amor agape, traduzido como caridade na Bíblia de 1611 a partir da Vulgata Latina.
    • Paródia da arrogância humana representada pelo esforço de construir uma torre até o céu no relato de Babel.
    • Presença de contos populares sobre a inutilidade de erguer escadas ao céu, a exemplo das tribos indígenas da Colúmbia Britânica.
    • Narrativa indígena sobre uma guerra original entre o Povo do Céu e o Povo da Terra, constituído por animais.
    • Construção de uma escada de flechas até o céu iniciada por uma ave pequena, frequentemente a carriça, disparando contra a lua.
    • Quebra da escada de flechas pelo peso do urso cinzento durante a subida dos animais.
    • Existência de versões alternativas onde a escada permanece intacta, ilustrando aspectos ideais e irônicos do tema.
    • Contraparte clássica da versão irônica no mito da revolta dos Titãs, filhos da terra que empilharam montanhas para alcançar os deuses.
    • Sequência de desenhos de Blake intitulada Os Portais do Paraíso.
    • Legenda Eu quero! Eu quero! em um dos desenhos de Blake, que retrata um jovem subindo uma escada apoiada na lua.
    • Gesto de um jovem casal em direção ao escalador, ignorado por ele de forma semelhante ao herói de Longfellow que murmura excelsior ao recusar o convite de uma jovem alpina.
    • Curvatura ameaçadora na escada de Blake que prenuncia a queda do personagem no mar na gravura seguinte, sob a legenda Socorro! Socorro!, assemelhando-se ao protótipo de Ícaro.
  • Uma vertente mais secular de ascensão surge no Simpósio de Platão através da força do Eros, gerando uma tradição mista que influenciou místicos e tratados renascentistas sobre o amor sublimado.
    • Conceito platônico do poder do Eros que eleva o amante, a partir da atração por um corpo belo, até a identificação com a própria Forma ou Ideia de Beleza.
    • Atração dos místicos por imagens de escalada por graus, exemplificada pela obra do século XV A Escada da Perfeição, de Walter Hilton.
    • Renovação do interesse pela escada secular do amor plantada na sexualidade humana durante o Renascimento.
    • Discurso do Cardeal Bembo no final do diálogo do século XVI O Cortesão, de Castiglione, que coroa o tema da educação do cortesão ideal com o elogio a esse amor ascensional.
  • A vitalidade da imagem da escada e da espiral persistiu no século XX nas obras de autores proeminentes que adaptaram o símbolo a contextos cristãos, platônicos e mitológicos.
    • Atuação de T.S. Eliot, W.B. Yeats, Ezra Pound e James Joyce como escritores de destaque há cerca de cinquenta anos.
    • Ênfase urgente no degrau mais alto de uma escadaria em poemas confessionais de Eliot, como Prufrock e Retrato de uma Senhora, bem como em La Figlia che Piange.
    • Alinhamento de Eliot com a tradição cristã em Ash-Wednesday, localizando uma escada em espiral no centro da composição poética a exemplo do Purgatório de Dante.
    • Utilização de imagens místicas nos Quatro Quartetos extraídas do místico espanhol São João da Cruz e de sua obra A Subida do Monte Carmelo.
    • Publicação por Yeats de coletâneas de poesia como The Tower em 1928 e The Winding Stair em 1933, paralelamente à busca por espirais e giros na experiência.
    • Natureza platônica e secular da imaginação de Yeats, que localiza a origem de todas as escadas no que denomina a loja de trapos e ossos do coração.
    • Aquisição por Yeats de uma torre circular com escada em espiral na Irlanda.
    • Retorno de Ezra Pound ao relato de Heródoto sobre as sete escadarias planetárias de Ecbatana em os Cantos.
    • Resolução expressa no início dos Cantos Pisanos, compostos durante o aprisionamento em uma jaula no pós-guerra: Construir a cidade de Dióce cujos terraços têm a cor das estrelas.
    • Menção a Dânae no quarto Canto de Pound, associada à representação medieval da Virgem Maria como a madonna in hortulo.
    • Estruturação do último trabalho de James Joyce em torno da balada irlandesa sobre Finnegan, o carregador que despenca do topo de uma escada, evento associado à queda do homem.
    • Ressurreição de Finnegan em seu próprio velório para pedir uísque, sendo convencido a retornar à morte por doze pranteadores que representam o zodíaco.
    • Transição da morte de Finnegan para o sono cíclico de seu sucessor, HCE, cujo sonho repetitivo constitui a própria história humana.
    • Contraste do movimento vertical das escadas com o ciclo rotativo da natureza expresso em estações, luz e vida.
  • O termo latino scala expande a imagem da escada para o conceito de gradação científica, artística e filosófica, fundamentando a histórica concepção da grande cadeia do ser.
    • Emprego da escala como medição por graus fundamental no trabalho científico e na música.
    • Formulação clara da escala das criaturas por Sir Thomas Browne na obra Religio Medici de 1643.
    • Trecho de Sir Thomas Browne: há neste Universo uma Escada, ou Escala manifesta de criaturas, elevando-se não desordenadamente, ou em confusão, mas com um método e proporção elegantes.
    • Gradação descrita entre os seres de mera existência e as coisas vivas; a diferença em relação às plantas e animais; e a distância ainda maior destes para o Homem.
    • Dedução de Browne de que uma proporção semelhante indicaria uma distância ainda maior entre o Homem e os Anjos.
    • Concepção da criação como uma grande cadeia do ser que se estende de Deus no topo até o caos na base.
    • Polarização da cadeia pelos conceitos de forma e matéria, sendo Deus a forma pura e o caos a matéria pura onde os quatro princípios da substância — quente, frio, úmido e seco — combinam-se ao acaso.
    • Hierarquia do mundo mineral logo acima do caos, encabeçada pelos metais nobres como ouro, prata e mercúrio, seguidos pelos metais básicos como estanho e chumbo.
    • Disposição sequencial do mundo vegetativo, do mundo animal e do homem, este último situado exatamente no meio da cadeia como um microcosmo por possuir natureza metade formal e metade material.
    • Localização do mundo espiritual dos anjos entre o homem e Deus.
    • Organização de uma tabela de nove ordens de anjos pelo pensador pseudo-Dionísio para estabelecer uma hierarquia em uma dimensão desconhecida do ser.
  • A escada do ser funcionava como uma estrutura de autoridade e ordem social que justificava a organização política medieval e moderna, mas começou a perder força no final do século dezoito.
    • Necessidade da hierarquia para evitar a dissolução social no caos e na anarquia.
    • Discurso de Ulisses na peça Troilus e Cressida de Shakespeare sobre a importância da gradação, malgrado os motivos reais do personagem visem a destruição de Troia.
    • Derivação das imagens cósmicas a partir de estruturas sociais como o princípio feudal de proteção e obediência na Idade Média e a filtragem da autoridade real no período Tudor.
    • Movimento ascendente nas representações teatrais de Ben Jonson, partindo da desordem no antimasque até os cumprimentos finais ao monarca no ápice da hierarquia.
    • Presença invisível, porém constante, de escadas e cenários ascensionais nas encenações palacianas.
    • Conceito de lugar natural ou estância amável, mencionado por Chaucer, para definir a posição de cada elemento na escala.
    • Comportamento de objetos pesados que caem e de bolhas de ar que sobem na água como busca por seus respectivos lugares naturais.
    • Condição do homem como exceção decorrente da queda de Adão, nascendo em um estado inferior ao planejado e alienado da natureza original do Éden.
    • Dever primordial humano de recuperar o Éden não como espaço geográfico, mas como estado de espírito.
    • Consideração de hábitos artificiais na natureza geral, como o uso de roupas, como condutas naturais e específicas da esfera superior do homem.
    • Papel das leis, da moralidade, dos sacramentos e da educação na elevação do homem ao seu lugar apropriado.
    • Vinculação do destino cósmico humano à permanência no extrato social de nascimento, definindo a tentativa de ascensão social como rebelião e o declínio como delinquência.
    • Reconhecimento da escada social como uma racionalização transparente da autoridade civil e eclesiástica.
    • Declínio da eficácia desse modelo de ascensão no fim do século dezoito devido à proximidade das revoluções Americana, Francesa e Industrial.
  • A transição do pensamento iluminista e romântico substituiu a visão do homem decaído pela valorização dos direitos humanos e deslocou a metáfora da escada do espaço para o tempo.
    • Mudança de perspectiva a partir de Rousseau, passando a conceber o homem como filho da natureza e enfatizando as capacidades e direitos humanos.
    • Visão de Milton no século dezoito de que a liberdade humana depende da vontade de Deus, sendo o homem incapaz de alcançá-la ou desejá-la por si mesmo.
    • Concepção de Byron e Shelley de que o desejo de liberdade nasce no próprio coração humano e exige o confronto com divindades antigas vistas como projeções da tirania.
    • Identificação do Purgatório de Dante como a representação literária ideal da escadaria do ser e da ascensão humana ao seu lugar cósmico.
    • Localização da base da montanha do purgatório na superfície esférica da Terra e do topo no jardim do Éden, onde a alma recupera o livre-arbítrio.
    • Necessidade de extensão da peregrinação humana para além da vida pós-morte, mesmo para os santos.
    • Expectativa de um modelo revolucionário baseado nas capacidades humanas após o colapso da cadeia do ser, assemelhando-se a uma Torre de Babel concluída.
    • Expressão desse desafio na obra filosófica Fenomenologia do Espírito de Hegel, referencial para programas de pensamento revolucionário.
    • Trajetória da argumentação de Hegel partindo da experiência sensorial ordinária até a formação de estruturas maiores que englobam suas próprias negações.
    • Alcance do conhecimento absoluto e ingresso no mundo do espírito infinito após a assimilação de todas as negações.
    • Presença de uma metáfora inconsciente de escadaria em espiral que confere contorno narrativo à filosofia de Hegel.
    • Predomínio de metáforas espaciais para apontar o mundo superior, em contraste com a menor frequência de trajetórias descendentes.
    • Estrutura em cone do inferno de Dante percorrida da base ao ápice em direção ao centro da Terra, exemplificando a associação de descidas ao demoníaco.
    • Associação do movimento espiral descendente ao turbilhão ou redemoinho da morte.
    • Origem subterrânea das forças benéficas ao homem no Prometeu Libertado de Shelley, onde a personagem Ásia descende à caverna de Demogorgon para impulsionar a queda do deus tirano Júpiter.
    • Omissão no texto de Shelley sobre o modo como se opera a descida física da heroína.
    • Desaparecimento do apelo literário de cenários geográficos cuja inexistência se tornou evidente.
    • Deslocamento de reinos perdidos na literatura do século dezenove de Rider Haggard na África ou Ásia para o espaço sideral nas narrativas da era do helicóptero.
    • Transferência necessária das imagens de escadarias do espaço metafórico para o tempo metafórico devido à perda de credibilidade dos mundos superiores ou inferiores.
  • A reconfiguração temporal da escada manifestou-se tanto no retorno ao passado idealizado quanto na projeção de um futuro evolutivo, revelando que a metáfora é o fundamento inescapável dos constructos intelectuais.
    • Ligação da escada do aprimoramento a um paraíso perdido no passado durante o período em que a educação visava reparar a ruína dos primeiros pais, segundo Milton.
    • Subida de Dante na montanha interpretada como um retorno à infância genérica da humanidade antes da queda de Adão, revertendo o tempo cronológico ao expurgar os pecados.
    • Inspiração da Renascença e da Reforma em um mito pastoral de retorno a um estado pretérito perdido.
    • Foco da Renascença na recuperação do latim da era agostiniana e da Reforma na pureza das primeiras gerações cristãs.
    • Projeção de uma escada temporal em direção ao futuro no início do século vinte, impulsionada pela teoria biológica da evolução.
    • Mitificação da escala evolutiva retratando o desaparecimento dos dinossauros e a sucessão de hominídeos até a postura ereta atual, tratando o homem de Neandertal como predecessor imediato.
    • Caráter puramente mitológico dessa visão evolutiva popularizada, adaptando as evidências ao interesse humano.
    • Expressão histórica dessa mitologia sob a forma da doutrina do progresso.
    • Aceitação geral no ambiente estudantil de que o socialismo representava um estágio de evolução social superior ao capitalismo.
    • Estabelecimento do comunismo em sociedades predominantemente pré-industriais e fixação de uma relação adversária com o capitalismo.
    • Ausência de avanço evolutivo geral na disputa entre os dois sistemas, evidenciando que essa escadaria temporal constitui uma estrutura onírica sem peso tangível.
    • Presença de metáforas, diagramas e figuras de linguagem como base de todos os constructos teóricos, filosóficos e literários.
    • Permanência do alicerce metafórico como recurso indispensável para a compreensão de uma forma superior de existência.
    • Emprego da própria metáfora como o passo inicial na escada real para uma existência superior.
  • A função da metáfora verbal e das artes visuais reside na extensão da consciência humana para o mundo externo, promovendo a integração entre o observador e as forças da natureza.
    • Formulação da metáfora verbal clássica baseada na identidade entre elementos distintos.
    • Exemplos bíblicos em Gênesis 49 nas profecias de Jacó: José é um ramo frutífero, Naftali é uma cerva solta, Issacar é um jumento forte.
    • Propósito da metáfora definido como um esforço para estender o ser para o mundo exterior, quebrando a barreira entre sujeito e objeto.
    • Realização de pinturas de animais no Paleolítico em cavernas sob condições extremas de iluminação e posicionamento.
    • Insuficiência da motivação puramente estética ou dos conceitos de magia e religião para explicar a potência psicológica de tais registros pré-históricos.
    • Interpretação das pinturas de bisões e ursos como extensão da consciência e do poder humano sobre os objetos de maior energia do entorno.
    • Função real da metáfora definida como a assimilação da energia, beleza e glória latentes na natureza pela mente observadora guiada pela comunidade.
    • Manifestação da metáfora pura na figura do deus, operando a identidade entre uma personalidade e um aspecto do mundo natural.
    • Origem dos deuses a partir da forma animal, remetendo a uma época em que o homem via nos animais capacidades superiores às suas.
    • Presença de divindades em formato animal nas culturas do Oriente Próximo e na Grécia, a exemplo do mito de Zeus e Europa.
    • Assimilação imaginativa do mundo animal evidenciada na exposição, desde um touro mesopotâmico antigo até um pavão em mosaico do período cóptico.
    • Visualização de olhos humanos em desenhos pré-históricos de animais, sugerindo a figura de um xamã identificado com o animal por meio da pele.
    • Presença de figuras como sacerdotes-peixes e fetiches femininos sem rosto com órgãos sexuais proeminentes na exposição, priorizando a identificação com a fertilidade e a vitalidade em detrimento da estética.
    • Desenvolvimento do senso estético visto como um estágio sofisticado que amplia a distância entre o objeto retratado e o sujeito que o observa.
  • A arqueologia atua como uma ciência que descobre níveis contínuos de criatividade e inocência acima da violência histórica, convergindo para a compreensão da imaginação criativa como a verdadeira escada para o infinito.
    • Prática arqueológica comparada a uma escavação subterrânea por meio de degraus para localizar vestígios de civilizações que outrora se ergueram no ar.
    • Alinhamento inicial da arqueologia ao tema do tesouro enterrado, como nas escavações de Schliemann em Troia.
    • Descobertas dramáticas exemplificadas pelo túmulo de Tutancâmon ou pelas esculturas de touros alados de Nínive salvaguardadas no Louvre.
    • Redução do motivo da caça ao tesouro na arqueologia contemporânea em favor de dois níveis claros de atuação.
    • Esclarecimento do conhecimento histórico revelando impérios rivais, destruição de terras, escravização e inscrições paranóicas de feitos cruéis.
    • Monumentos vaidosos ironizados no relato de Babel e no soneto Ozymandias de Shelley sobre o rei dos reis cujas obras viraram ruínas.
    • Ampliação do conhecimento geral sobre o comportamento humano sem necessariamente expandi-lo.
    • Recuperação arqueológica de objetos de grande beleza que demonstram a existência de um nível contínuo de habilidade técnica e visão criativa acima da história linear de conflitos.
    • Preservação dos artefatos em um estado permanente de inocência, abstraídos do contexto original de crueldade social.
    • Definição da imaginação criativa como a verdadeira escada para o céu, capaz de conduzir a humanidade além da sobrevivência rumo a uma vida abundante.
    • Constatação final no sonho de Jacó de que o tráfego de anjos ocorria tanto em descida quanto em ascensão.
    • Implicação de que as atividades divinas e humanas na criação guardam proximidade mútua.
    • Possibilidade de vislumbrar a escada de Jacó ativa mesmo nas cidades verticais contemporâneas, conforme os versos de Francis Thompson: o tráfego da escada de Jacó / Armado entre o Céu e Charing Cross.
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