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Melville

HERMAN MELVILLE (1819-1891)

O que a Gnose nos diz é que o tempo, que se degrada, é o produto de uma degradação divina, um fracasso dentro de Deus. Adiei falar sobre a degradação divina até agora, porque nenhum aspecto do gnosticismo é mais mal compreendido ou ofende mais os piedosos das igrejas estabelecidas. Mas a crise dentro do Pleroma, a ruptura na Plenitude original, tinha de ser mútua: quando caímos neste mundo feito por anjos ineptos, Deus também caiu, descendo não conosco, mas em alguma esfera mais estranha, impossivelmente remota. Há (pelo menos) dois kenomas, dois vazios cosmológicos: nosso mundo, este mundo, e as esferas invisíveis também formadas no susto, como diz Herman Melville em sua obra-prima muito gnóstica, Moby-Dick. Nesses lugares desertos, Deus agora vagueia, ele próprio um estrangeiro, um estranho, um exilado, assim como nós vagamos aqui. O tempo, uma sombra invejosa (como o poeta gnóstico Shelley a chamou), caiu da Plenitude em nosso mundo. Uma sombra igualmente invejosa, uma sombra sem nome, paira sobre o Deus errante do Abismo, não apenas afastado de nós, como nós somos dele, mas tão desamparado sem nós como nós somos sem ele. (Harold Bloom)



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