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Chestov

Léon Chestov

Em “As fontes da verdade metafísica”, Chestov nos apresenta um quadro assustador da história da filosofia; Aristóteles havia estabelecido suas bases com a descoberta dos dois princípios a seguir: o primeiro, de que a Necessidade não se deixa persuadir; o segundo, de que a verdade tem o poder de coagir, de que o próprio Parmênides era coagido pelos fenômenos. O próprio Deus, na verdade, é compelido pela verdade, pois não pode fazer, dizia Aristóteles, fazendo seu um verso de Agatão, que “o que foi não tenha sido”. Para Deus, como para todos, o fato da experiência: Sócrates foi envenenado, é uma verdade eterna, assim como a proposição “este cão está raivoso”. Eis duas verdades da “experiência” que foram elevadas ao rang de verdades eternas e que não só os filósofos não podem modificar, nem fazer com que não tenham sido, mas que o próprio Deus, por mais poderoso que se conceba, não pode modificar nem abolir. Ao mandamento primordial, ao jubere de Deus, a filosofia substituiu o parere, a obediência, e todos obedecem, desde a noite dos tempos, tanto o grande Parmênides quanto Aristóteles, tanto o cidadão comum quanto Deus. Essa obediência à qual nos acostumamos não deixou de ofender alguns, e Chestov citou o próprio testemunho de Aristóteles, que confessa ter ficado incomodado por ter de obedecer. Mas, embora ofendido, Aristóteles continuou a obedecer; pois ele pensava que a obediência é um ato filosófico, um método que leva à descoberta da verdade, enquanto julgava que a ofensa, a rebelião do homem ofendido, não podem levar a lugar algum, que não se pode ver nisso um ato filosófico. “É preciso parar!”, exclamou ele. (Benjamin Fondane)

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