WIRTH – CONCLUSÃO
Johann Wolfgang von Gœthe. Le serpent vert. CONTE SYMBOLIQUE. Traduit et commenté par Oswald Wirth.
Os símbolos têm como objetivo fazer pensar. À preguiça de espírito convêm os dogmas ou os sistemas claramente definidos. Goethe meditou muito, tanto como filósofo profundo quanto como artista genial. Os problemas que mais o preocupavam inspiraram-no genialmente a escrever o conto cuja interpretação é apenas esboçada de forma rudimentar no que precede. Convém, portanto, limitar os comentários, recorrendo, para os completar, às meditações individuais dos amigos da verdadeira sabedoria.
Que o presente trabalho lhes sirva de guia e os ajude a esclarecer por si mesmos o caos de imagens inicialmente evocado em suas mentes. Se concordarem em não poupar esforços, um tesouro será sua recompensa, pois, em nenhuma circunstância, se poderia dizer melhor do que aqui, com o fabulista: É o fundo que menos falta.
A Ponte a construir, segundo o sonho de Goethe, reuniu na Alemanha adeptos que se interessaram vivamente pela interpretação francesa do Märchen.
Nesse país, como em outros, as associações iniciáticas se dissolveram, o que equivale à morte da Serpente Verde e sua decomposição em pedras luminosas. Afundados no rio da vida comum, os materiais dissociados desaparecem, mas a energia construtiva que lhes é inerente opera individualmente. Uma afinidade misteriosa reúne no fundo das águas os elementos de pilhas vivas, construções madreporicas, destinadas a sustentar a grande ponte que unirá em um único povo a multidão heterogênea dos seres humanos.
