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NO MEIO DO CÉU

Cristina Campo. Gli imperdonabili.

Os portões eram, a princípio, o fim do mundo… e por trás de tudo se revelava algo de infinito. THOMAS TRAHERNE

A velhice, frequentemente esquecida de grande parte da vida passada, recorda com clareza crescente a infância — e, como só pela infância se acede ao reino dos céus, cabe despir-se de todo outro bem em favor dessa única posse.

  • Essa posse talvez se cumpra com a morte.

O velho mais desorientado reveste-se da autoridade de um áugure quando começa a narrar sua infância, exercendo sobre crianças e adultos um poder de fascinação que nenhuma inquietação resiste.

  • Ele não aponta o próprio passado, mas o futuro da memória adulta do menino — e nenhum dos dois o sabe, senão pela qualidade numinosa das palavras.
  • A criança interrompe, quer saber mais: a forma de um pão, o tamanho de um jardim, a cor do vestido da bisavó — ou, quando lhe falta atenção poética, pergunta apenas “quantos anos você tinha então?”, esforçando-se por vencer o espanto do tempo que os separa.
  • O velho responde “seis, sete anos — como você, um a mais, um a menos”, numa cabala cega e perfeita que mantém suspenso, em torno dos dois, como em torno do dorminhoco de Proust, o fio das horas e a ordem dos dias.

O menino que escuta o velho apresenta uma tensão corporal comparável à dos animais em muda ou dos insetos em metamorfose — ele está crescendo naqueles instantes, bebendo com volúpia e tremor na fonte da memória.

  • Suas pálpebras batem com lentidão hipnótica, os lábios se entreabrem febris, a saliva passa devagar pela garganta.
  • A expressão não é de hilaridade, mas de concentração intensa — semelhante à dos rouxinóis em pleno canto, que, segundo se diz, têm temperatura elevada e a frágil plumagem toda eriçada.
  • A memória é “a água fulgurante e sombria da qual tem vida a percepção sutil.”

Os objetos que o menino pede ansiosamente para ver estão ao seu alcance, mas parecem-lhe absolutamente distintos das coisas que toca e vê todos os dias.

  • Há algo de brutal — ou apenas animal — na rapidez com que a criança volta a seus brinquedos após esses instantes que suspenderam sobre sua cabeça o movimento das esferas.
  • Quase acordada de um sonho, como os animais ou os milagrosos que ao abrir os olhos buscam o alimento, ela diz logo “estou com fome”, pega gulosa sua merenda e corre embora — quase provocadora, ostentando o desapego com pequenos gritos ou cantos estrondosos.
  • Em seguida volta-se de preferência ao mundo dos animais, arrastando o cão ou agarrando o gato para correr pelo jardim.

A criança vive em relação perfeita com os objetos que a cercam — suas mãos apanham a laranja, mergulham na riqueza da pelagem ou da água com a precisão e o prumo de um anjo —, mas ela não o sabe.

  • Só quando sua memória se fechar como um círculo sobre seus próprios começos poderá sabê-lo.
  • O velho já o sabe: o diálogo se desenvolve entre um jardim onde se está nu sem o saber e um vestíbulo onde já se despiu.

A narração mais simples de um velho assume andamento de parábola — e a contadora de fábulas foi sempre a avó, decana da casa, mulher de bom conselho, fosse dama ou camponesa.

  • “Vale mais um velho no canto da lareira do que um jovem no campo”, diz o provérbio italiano — lembrando a figura do contador de histórias que o pai da autora ainda pôde ouvir: o homem misterioso convidado para as vigílias das longas noites de inverno, como um celebrante ou arúspice.
  • Enquanto ao contador de fábulas era reservada a casa e o fogo — antigo lugar de encontro com os mortos e os espíritos da estirpe —, ao cantador de gestas históricas cabia a praça pública.
  • O contador de fábulas passava misteriosamente de casa em casa como portador de tesouros; as crianças o imaginavam com um saco cheio de palavras, semelhante ao saco do Sono dispensador de sonhos.
  • Por séculos criaram-se lendas sobre o contador que não tem mais — ou não quer mais contar — fábulas: dom celeste, sempre revogável.

O velho desavisado pode ignorar sua qualidade de hierofante velado enquanto narra; o velho avisado a conhece e prefere à história a parábola.

  • Um dirá: “Nos levavam com frequência, quando crianças, a visitar certo aleijado…” — outro começará: “Na ilha chamada dos Meninos de Kaledan, um rei cego não acreditava na morte…”
  • Ambos, porém, guardam fidelidade a uma entrega de silêncio que é a lei das idades: um encerrando-a nos doces e cotidianos objetos da memória, como em talismãs mudos e afetuosos; o outro nas figurações complicadas e recorrentes do conto velado — “semelhante ao avesso de um tapete que só virado ao direito mostrará o seu desenho.”

A fábula, figura da viagem, fecha-se geralmente como um anel no mesmo ponto em que começou — o destino alcançado, além dos sete montes e sete mares, é a casa paterna, o parque familiar, o jardim onde cresceram altas ervas.

  • Há uma fábula em que a viagem é ultramundana: uma menina parte em busca da mãe morta, atravessa florestas, oceanos, cidades labirínticas e montanhas, cruza a cadavérica planície da lua — e o jardim do paraíso que lhe é indicado ao final revela-se a floresta perto de sua casa, onde havia escolhido se perder no início do peregrinar; e a mãe está sentada numa gruta junto à fonte dos seus primeiros jogos.
  • Nas fábulas não há estradas: caminha-se em frente, a linha parece reta, mas ao final se revelará labirinto, círculo perfeito, espiral, estrela — ou até um ponto imóvel do qual a alma jamais partiu.

As Moiras — em figura de mendigos decrépitos ou de bichanos falantes — nunca podem dar como viaticum mais do que três ou quatro normas negativas, que serão pontualmente transgredidas, porque não é possível seguir verdadeiramente normas que estão no lugar de outras normas recônditas.

  • Não se sabe para onde se vai nem ao que se vai, pois não se pode saber o que são em realidade a Água Dançante, a Maçã Cantante, o Pássaro que adivinha.
  • É a palavra que chama: “a abstrata, plena palavra, mais forte do que qualquer certeza.”
  • Um preceptor oriental afirma que o discípulo deve caminhar para chegar, empurrar-se adiante com a força de seu espírito para receber a iluminação — “os flores não se abrirão se deles se espera que se abram; isso acontecerá por si mesmo quando o tempo estiver maduro.”
  • A meta caminha ao lado do viajante como o Arcanjo Rafael, guardião de Tobias — ou o aguarda às costas, como o velho Tobias; na realidade, o viajante a tem em si desde sempre e viaja em direção ao centro imóvel de sua vida: a gruta junto à fonte, onde infância e morte, entrelaçadas, confiam uma à outra seu recíproco segredo.

Todos os planos da existência parecem envolvidos por essa tenaz relação entre infância e morte — Proust é grande testemunha disso, mas talvez seja Pasternak quem revela seu sentido último, ao dizer que os Estudos de Chopin são ensaios para uma teoria da infância e, por isso mesmo, uma preparação pianística para a morte.

  • Os antigos navegadores que haviam perdido o rumo chamavam a manobra de reencontrá-lo de “avançar de retorno.”
  • Do zênite da vida — esteja em seu vértice natural ou o antecipe —, o caminho não é em direção ao esquecimento, como a lei do tempo o quereria, mas sim em direção à memória.
  • Ao ouvir os avós maternos — banidos pelos conquistadores espanhóis —, o mestiço Garcilaso compreendeu de uma vez por todas que de si mesmo diria no futuro somente “El Inca”, embora fosse cristão ardente e filho de um ilustre espanhol.
  • O encontro com qualquer retrato de família pode não ser menos dramático: o homem ou a mulher de quem se ouviu falar mil vezes, o avô com nosso rosto, que viu os imperadores e porta nas pupilas frias e ternuras o que buscamos desde o nascimento — “algo muito semelhante à terra que (como um índio se expressou) nos foi tirada sob pretexto de abrir-nos o céu.”
  • O primeiro mediador de tais encontros com a própria pré-história é a paisagem.

Quem nasceu no campo carregará por toda a vida o sentimento de uma linguagem arcana e precisa, de um desdobrar musical de frases que, enquanto preenche os sentidos de sobreabundante alegria, anuncia à mente um último desenho — sempre prometido e diferido.

  • Ora essa forma final era proposta por um sonho em que a paisagem amada assumia profundidades inauditas, ora por uma leitura — e mais do que nada a de uma fábula, onde os lugares queridos prosseguiam por caminhos impensáveis, carregavam-se de presenças, sofriam metamorfoses mais sutis e mais sublimes.
  • A infância é um rebus de limites ilimitados, de fronteiras incertas, magnificadas pela pequena estatura — como as palavras mágicas soletradas devagar no livro de fábulas.
  • Era o outeiro aveludado por uma linha de sol e inacessível aos passinhos miúdos, além do qual devia estender-se o prado incomparável, a clareira de Brocelianda; era o portão sempre fechado, o bosque apenas roçado, a alameda sem fim; era a ruína de um castelo vertiginoso e estático que girava transformando-se com as curvas da estrada; era a gruta, o musgo adivinhado, a água escondida — “era a fin du parc.”

Basta uma fotografia para que aqueles hieróglifos dourados, aqueles verdes ideogramas de uma presença perfeita — sem trégua pressentida e perdida — reformem seus sinais.

  • Para quem se debruça sobre ela como sobre um quadro vivo, o amarelo é “o mel puro da luz, são todas aquelas manhãs ofuscantes e sombrias, suavemente atravessadas por chamados, farfalhos, zumbido de abelhas, fulgor de claras vestes distantes, vozes absortas, no ar límpido como gelo.”
  • É um espaço absoluto feito precisamente daquelas proibições e fronteiras invisíveis, tão semelhantes aos laços da métrica e aos puros anéis da rima.
  • A memória insiste às vezes até o tormento em torno delas, como em torno de um êxtase negado; e de tempos em tempos, com uma perseverança angélica e cruel, um sonho recorrente as apresenta de súbito — o jardim fechado cujo acesso se busca chorando, a casa deserta ou destruída, a água invisível que poderia falar, como o rio Escamandro, se ao menos chegássemos a mergulhar nela uma mão.
  • Desses sonhos acorda-se com uma desolação mais feroz do que o arrebatamento.
  • Borges, sonhador consciente e portanto onipotente, decide criar no sonho o que por toda a infância havia desejado: uma tigre — mas “a fera desejada não consegue aparecer, surge risível ou pula sobre a sua cabeça como um relâmpago.”

A fábula é uma trama incessante de tais instantes inapreensíveis, fixados em seu máximo de esplendor.

  • O dervixe separa com as duas mãos uma fumaça de incenso e por aquela abertura o prisioneiro pode sair para um jardim; uma porta minúscula se abre para a princesa fugitiva no tronco de um carvalho — e além há vastos campos, ignótos e solitários.
  • A leitura das fábulas, língua secreta dos velhos, é frequentemente o evento indelével da infância: para o menino que as leu em uma paisagem viva, elas valerão uma primeira iniciação ao poder dos símbolos.
  • Corrado Alvaro assimilou a fábula à infância do mundo, quando as viagens se faziam a pé ou sobre animais: “Que eram os antros, os bosques, os mundos subterrâneos, senão os lugares entrevistados nas jornadas fatigantes? O meio engrandecia a paisagem, criava um conhecimento mais estreito e ao mesmo tempo mais misterioso com as coisas — e os próprios animais que nos carregavam aumentavam o mistério com seus medos repentinos, sua repugnância em prosseguir, sua atração por certas estradas e lugares, os galopes súbitos e as empinadas. Então a estrada se animava de presenças remotas, de horrores, de temores, de alegres libertações.”
  • Esse ritmo de viagem rapinoso e lentíssimo — eterno — é próprio da fábula como de todos os escritos espirituais que lhe emprestam e retomam continuamente suas hipérboles exatas, seus impossíveis precisos.
  • O “Cântico espiritual” de são João da Cruz é uma clássica história de amor e viagem em busca do Príncipe incomparável — fala de montes e rios, de tocas de leões e ilhas estranhas, de superfícies prateadas nas quais afloram olhos, de leitos nupciais defendidos por escudos de ouro.
  • “A fábula das fábulas, a viagem das viagens, o Livro de Tobias, ilumina-se de um vívido fulgor quando o velho pai diz, voltando-se para o desconhecido do peixe e do bordão: 'Ó tu que conduz aos Infernos, tu que deles reconduz…'”

Se um evento essencial para nossa vida — encontro, iluminação — se produz, reconhecemo-lo antes de tudo pela luz de infância e de fábula que o envolve.

  • Paisagens ignoradas parecem assimilar-se aos primeiros jardins, vales, florestas; enquanto a fábula se encarna na rede de símbolos e no reino de emblemas que inaugura imediatamente um acontecimento significativo: “tramas de correspondências, qualidade magnética dos objetos, logo feitos talismãs, penhores ou brasões.”
  • “A exasperante mecânica das Afinidades eletivas é desbaratada pelo esplendor de um desses objetos: o copo sobre o qual o acaso entrelaçou as iniciais de Eduardo e Otília.”
  • É sobretudo a paisagem que abre a tais estados espirituais suas dobras mais enterradas — abolida como por toque de varinha a geometria de tempo e espaço, caminha-se por horas sem sair de um círculo, ou ao contrário toca-se em poucos passos a borda do ilimitado.
  • Não é o estado de aguçada vigília que lança sobre os lugares esse encanto, mas uma correspondência muito mais recôndita entre descobrir e deixar-se descobrir, configurar e configurar-se.
  • “Hoje um qualquer camponês, para indicar uma qualquer direção, falará como um gnomo ou uma fada, abrirá com um gesto a estrada, mil vezes roçada sem suspeitá-la, que leva aos quatro brancos chafarizes indizivelmente suspensos ao flanco de uma colina.”
  • A contemplação do limite — desse necessário perder-se, esconder-se, interromper-se da visão — nutre a vida, como o pássaro das Upanishads que olha o fruto sem comê-lo: “É um sabor repentino, de intensidade quase dilacerante, que talvez una em si o da última, tépida água pré-natal, já misturada ao ar cru do mundo, e o estranhamente feral da água doce que se torna salgada no estuário.”
  • “Ocorre muita fé para reconhecer símbolos no que aconteceu realmente — sobretudo no que acontecerá mais tarde, porque o hoje é o sempre: todas as linhas de fuga da existência partem daí, agulhas magnéticas oscilando para todos os lados, sensíveis a todo vento.”

Em tais estados, não é raro ser visitado por um sonho — o antigo sonho recorrente, mas profundamente mutado: mais do que um sonho, é agora um precipitado de sonhos, onde cada figura se esclarece em virtude da outra.

  • “Como em uma língua recém-aprendida, aquelas palavras que, isoladas, encantavam sem se revelar.”
  • O sentido agora é claro, o inteiro jardim de sonhos está aberto e convida: olhares velozes dirigem os passos, mãos acenam além dos umbrais; atrás de vidros de límpidez ofuscante passam as adoráveis figuras perdidas que se levantam de um piano, pousam frutas sobre uma mesa.
  • “Corre como um cartuxo, de boca conhecida e ignota, o dito obscuro e luminoso, a glosa irrefutável entre passado e futuro — assim era talvez, nos albores do mundo, o sonho curador de Asclépio.”
  • Não se entra além do véu de folhagem — e é o “não licet da plenitude sobreabundante, a quase mortal felicidade do olhar sem posse.”

A partir desse instante a vida está em jogo; se o que se viveu não se traduzir em atos inspirados, escolhas cada vez mais límpidas e recusas cada vez mais sorridentes, não se será o sábio ancião que se exprime em figuras, desdobrando o tecido dos dias como o manto encantado onde estavam pintados “todos os pássaros e animais e peixes e toda árvore e planta e fruto da terra, toda rocha e raridade e concha do mar e o sol e a lua e as estrelas e os astros e os planetas do firmamento” — e que passava, contudo, facilmente pelo buraco de uma agulha.

  • Será apenas um velho que recorda, com tormento e doçura: áugure cego e, ainda assim, áugure — talvez incapaz de fornecer a última chave, a pequena chave de ouro, para a decifração do mundo; incapaz de ensinar uma estrada que não seja obscura e difícil, mas que é, todavia, a mesma estrada.
  • “Se não a meta oculta, certo dessa estrada ele conhece cada pedra, cada cardo e cada espiga — e os segredos das casas, das obras humanas, dos animais que se veem de seus seus tornantes.”
  • “Bastam alguns fragmentos de visão: Um lagar, cavado de um único e grande carvalho… Tocavam à noite a quatro mãos, meu pai e minha mãe: Paisiello, Donizetti… Aos oito anos me deram um cavalinho, um baio queimado com três meias. Baio com três meias, cavalo de rei, disse o moço da cavalariça. À minha irmã, por sua vez, dois patinhos mudos…”
  • Como nos sonhos, assim em suas palavras a mensagem poderá soar incoerente, mas a ordem secreta que alinha essas palavras não é menos perfeita.
  • “O capricho de um príncipe renascentista, alimentado apenas por um sonho de poder e de jogo, poderá inventar em seu parque toda uma população de esculturas fantásticas; ignorando ter desenhado, naquele caos aparente, o itinerário iniciático perfeito, o caminho a um tesouro que não sabia existir.”

A poesia perfeita capta às vezes o momento da balança suspensa, do fio de espada, da ponta de remo em que as antíteses se conciliam.

  • Ela o reproduz com seu tom inconfundível de sabedoria antiquíssima, dentro da qual corre e irrompe o júbilo infantil; o sentimento do medo e o da certeza estão presentes, a interrogação e a memória dialogam juntos — e o vivente, no centro de suas três idades, pode conversar em paz com os mortos.
  • “Foram sempre poucas as obras de poesia assim distendidas sobre o tempo humano, e pouquíssimas têm data recente.”
  • Os nobres dramas japoneses preservam a revelação mais pura dos múltiplos mundos — “não traduzida em parábola mas em gesto”: biombos de paisagens dispersas, sem relações de vias ou de momentos, cada um elevado à última solidão e, todavia, ordenados como constelações.
  • Yeats notou “a misteriosa veneração daqueles antigos dramaturgos — e de seu público — pelo bosque, a fonte, a desconhecida morada, o santuário abandonado.”
  • Retornam a cada cena as imagens — mutiladas e significantes — de que a infância experimentou espanto, que o sonho sempre rememora, a fábula propõe como enigma e as Escrituras elevam aos céus: “locus absconditus, hortus conclusus, fons signatus.”
  • Assim como na memória e no sonho, também em toda obra que participe do arcano é sempre um único tema que se reencontra repetidamente, primeiro como frágil semente, depois como a árvore em que os pássaros nidificam aos milhares — “da Vita Nova à Commedia, das primeiras às últimas páginas de Hofmannsthal ou de Proust.”
  • “Desse longo, insaciado encontro amoroso — nunca de todo cumprido, nunca suficientemente retomado — com as quatro esfinges irmãs — memória, sonho, paisagem, tradição — nutre-se a poesia; a grande esfinge de rosto iluminado, muito mais inviolável do que os quatro rostos obscuros.”

Ao término do drama japonês o destino se cumpriu, os amantes mortos foram unidos, passou pelo lago a barca em que as sombras das cortesãs cantaram o canto sem par — “como água na água a aparição desaparece.”

  • “Ao menino que escuta uma fábula, ao homem que termina um poema, ao dorminhoco que, no limiar do despertar, transpôs o portão proibido, o eterno concedeu ao menos uma medida de si. Não mais do que uma medida, certamente.”
  • “De não acordares ainda te pedimos: / aqui não há nada além / desta moita no meio de um prado. / A brisa da manhã move-se entre os pinheiros. / Uma moita selvagem, escura e vazia.”
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