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FERNANDO PESSOA, SÍMBOLO E INICIAÇÃO
CENTENO, Yvette. Fernando Pessoa: o Amor, a Morte e a Iniciação. Lisboa: Regra do Jogo, 1985.
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O hermetismo associado a Fernando Pessoa manifesta-se através de numerosos textos do espólio que abordam tradições esotéricas diversas e definem a iniciação como comunicação direta de conhecimentos inacessíveis por leitura ou esforço intelectual comum.
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Presença de temas ligados ao ocultismo, maçonaria, cabala, teosofia, rosacrucianismo e alquimia.
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Iniciação entendida como concessão de conhecimentos impossíveis de obter apenas pela leitura de livros ou pelo exercício da inteligência.
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A posição religiosa de Fernando Pessoa exprime fidelidade a uma tradição secreta do cristianismo relacionada com a cabala e com a essência oculta da maçonaria, acompanhada da afirmação de ter recebido iniciação por comunicação direta entre mestre e discípulo.
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Referência à tradição secreta do cristianismo.
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Ligação à cabala de Israel.
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Iniciação nos três graus menores da Ordem Templária de Portugal.
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Documentos do espólio de Fernando Pessoa indicam que o grau de aprendiz simboliza a totalidade da iniciação e que a explicação simbólica não constitui a verdade última do mistério.
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O grau de aprendiz apresentado como símbolo de toda a iniciação.
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A explicação simbólica considerada válida mas não definitiva.
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O candidato elevado a um mistério e não a uma revelação completa.
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O símbolo e o ritual constituem formas de comunicação entre níveis de consciência que dispensam a linguagem verbal e operam por meio da inteligência analógica.
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Comunicação entre uma alma superior e outra inferior.
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Ausência de necessidade de palavras na transmissão simbólica.
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Direcionamento da compreensão para a inteligência analógica.
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O símbolo constitui linguagem própria das verdades superiores, inacessíveis à expressão verbal comum e à inteligência discursiva.
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A palavra corresponde ao domínio da inteligência racional.
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O símbolo corresponde ao domínio das verdades superiores.
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A impossibilidade de revelar plenamente o oculto por meio da linguagem.
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A iniciação conduz ao conhecimento das coisas divinas e ao domínio do divino presente nas coisas sem eliminar o caráter essencialmente velado do oculto.
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O oculto permanece sempre parcialmente encoberto.
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O processo iniciático conduz ao mistério sem o esgotar.
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O homem de gênio ou artista criador participa de uma forma de iniciação caracterizada pela intuição e pela sensibilidade que permitem contato com realidades espirituais.
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Definição do gênio como iniciado da mão esquerda.
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Referência a Shakespeare como exemplo desse tipo de iniciado.
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Comunicação com os Anjos por meio da intuição e da sensibilidade.
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A iniciação apresenta proximidade com a alquimia entendida como processo de aquisição de conhecimentos ocultos e desenvolvimento da imaginação criadora.
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A matéria prima alquímica identificada com a própria vida humana.
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O homem simultaneamente sujeito e objeto da transmutação.
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Transformação interior como objetivo da obra.
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A obra alquímica compreende quatro processos fundamentais que correspondem a etapas da transformação espiritual do ser humano.
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Putrefação do eu inferior.
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Branqueamento correspondente ao surgimento do eu superior.
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Graduação como conhecimento progressivo do eu superior.
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Rubificação como realização plena e conversação com o Santo Anjo da Guarda.
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A matéria alquímica possui simultaneamente realidade física e significado simbólico, de modo que cada elemento material expressa uma força supramaterial.
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Elementos materiais existentes também como símbolos.
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Operação alquímica realizada sobre a matéria e sobre o sentido simbólico.
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Transformação do que a matéria simboliza.
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O adepto ou artista deve possuir capacidade primordial de sentir os símbolos como realidades vivas antes de interpretá-los intelectualmente.
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Percepção dos símbolos como entidades dotadas de vida ou alma.
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Interpretação intelectual posterior à experiência simbólica.
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Rituais destinados a despertar a experiência viva do simbolismo.
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Todas as iniciações possuem o mesmo segredo fundamental que consiste em transformar o homem e fazê-lo participar do Uno do qual todas as coisas emanam.
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Transmutação do inferior no superior.
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Correspondência com a doutrina hermética da Tabula Smaragdina.
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Transformação do homem por meio do contato com símbolos carregados de força.
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A unidade essencial do real manifesta-se na ideia de que todas as manifestações derivam do mesmo princípio.
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O satânico entendido como materialização do divino.
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A magia negra descrita como magia branca materializada.
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Certos cultos simbólicos tornam-se satânicos quando interpretados literalmente.
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O segredo maçônico, assim como o alquímico ou mágico, consiste num princípio vital que comunica ao iniciado um espírito interior de compreensão e intuição.
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Espírito que acelera o entendimento e a intuição.
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Função de chave para o significado dos símbolos.
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Realidade interior impossível de transmitir por palavras.
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A maçonaria e a cabala, consideradas no seu sentido mais elevado, atuam como dissolventes das limitações materiais presentes nas religiões formais.
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Natureza de alquimia espiritual.
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Superação das materialidades religiosas.
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A compreensão da maçonaria exige do profano determinadas disposições intelectuais e espirituais que tornam possível a interpretação do simbolismo.
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Natureza simbolista que reconhece os símbolos como realidades vivas.
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Estudo com imparcialidade e simpatia.
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Capacidade de leitura simbólica ou interpretação interior.
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O conhecimento da língua inglesa constitui habilitação necessária ao estudo da maçonaria devido à predominância de obras maçônicas nessa língua.
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Autoridades maçônicas frequentemente inglesas ou americanas.
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Escassez de traduções para línguas latinas.
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Diferenças entre rituais ingleses e continentais.
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O entendimento profundo da maçonaria exige conhecimento da chamada ciência hermética que abrange tradições metafísicas e simbólicas amplas.
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Relação com as especulações metafísicas da cabala.
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Inclusão de elementos simbólicos da astrologia.
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Necessidade desse saber para penetrar o sentido íntimo da maçonaria.
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A terminologia maçônica apresenta dificuldades interpretativas porque muitos termos possuem significado técnico distinto do uso comum.
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Expressões como grau filosófico ou grau escocês possuem sentido específico.
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Traduções literais frequentemente produzem equívocos.
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Interpretação exige conhecimento do contexto iniciático.
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A progressão espiritual depende da ciência hermética e de uma mentalidade simbolista capaz de reconhecer a ação transformadora dos símbolos.
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O símbolo atua gradualmente sobre o indivíduo.
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Transformação interior progressiva do ser humano.
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A filosofia hermética constitui forma de conhecimento e prática espiritual orientada para a transformação da vida.
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Contato com os mistérios gera vida e alma novas.
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Conhecimento iniciático não transmissível plenamente por palavras.
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Graus iniciáticos correspondem a estados reais de ser.
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A condição humana assume sentido simbólico de peregrinação espiritual orientada para a realização superior.
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Todos os homens potencialmente adeptos.
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Vida terrestre concebida como antecâmara de um templo espiritual.
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Caminho interior conduzindo à realização.
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A verdadeira iniciação realiza-se no interior da alma humana, concebida como templo no qual se manifesta o divino.
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O divino compreendido como realidade interior ao homem.
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O simbolismo hermético orientado para essa presença interior.
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