Romances do Graal (Sansonetti)
Sansonetti, 1982
<em>Perceval ou o Conto do Graal</em>, de Chrétien de Troyes, permaneceu inacabado. Inacabado? Aqui intervém a feliz intuição de Jacques Ribard: <em>“Como não se impressionar com o fato de que três das obras-primas de nossa literatura medieval—três evidentes buscas espirituais—La Charrette, O Conto do Graal e O Romance da Rosa, de Guillaume de Lorris, são todas três inacabadas, ou ao menos assim consideradas?”</em> ([^<em>Le Chevalier de la Charrette</em>, Paris, 1972, p. 164.]).
Esses romances seriam, na verdade, voluntariamente inacabados porque um silêncio se impõe sobre o final da obra e, então, como diz J. Ribard, <em>“talvez os autores tenham se resignado a calar-se diante do inexprimível”</em> ([^Ibid., p. 166.]). Mas: <em>“Não seria antes porque a busca não tem, não pode ter fim? (…) Que esses romances estão de fato concluídos, na medida em que não possuem um final?”</em> ([^<em>De Chrétien de Troyes a Guillaume de Lorris: essas buscas que dizem ser inacabadas</em>, cadernos do CUERMA, Paris, 1976, p. 321.]). O fim da obra permaneceria, assim, “suspenso” no invisível!
Em outras palavras, esses romances seriam analogamente semelhantes à famosa espada quebrada—tão hierática, tão fascinante—quanto o próprio Graal, a ponto de, já na <em>Primeira Continuação</em>, ela passar a fazer parte do cortejo do vaso de luz. Mas não há dúvida de que essa lâmina truncada reflete como um espelho simbólico o <em>Rei Pescador</em>, um homem partido ao meio, pois está paralisado das pernas. Assim, tanto quanto formular as questões fatais—por que a lança sangra? Qual é o serviço do Graal?—reconstituir a espada significa fazer com que o <em>rei ferido</em> se levante e caminhe.
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