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Contra-Céu IV

<poesie>

e contemple:

um Mar borbulhante diante de você;

a palavra SIM brilhando, refletida em cada bolha.

O NÃO é macho, ele observa a fêmea.

O mesmo ato negador que faz o sujeito consciente faz o objeto percebido. Despertar é se colocar a pensar alguma coisa exterior a si mesmo; aquilo que se identifica com o seu corpo, ou com quem quer que seja, adormece.

A negação é um ato simples, imediato e procriador, por assim dizer, macho. O que é negado, tomado em geral e a priori, pode ser considerado o princípio comum a todos os aspectos, portanto, como fêmea.

O ato de negar, privado, por definição, de toda determinação positiva, é idêntico ao 'eu em seu movimento perpétuo; o objeto negado surge sem cessar, múltiplo e diverso, como o que não é eu, o que não é feito de minha realidade substancial, como, segundo a Cabala, um vazio, uma bolha na substância absoluta.

</poesie>

*PS: R. Daumal, Le contre-ciel (1936; ed. completa póstuma 1955; prêmio Jacques Doucet 1935), Gallimard, col. Poésie, 1970.*

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