User Tools

Site Tools


autores:daumal:carta-a-si-mesmo:start

Carta a si mesmo

Busco a verdade, portanto não a conheço. Como posso então dizer que desejo alcançá-la? Na verdade, não tenho o direito de afirmar nada sobre a verdade, nem mesmo que ela é desejável. Mas sofro, tenho medo e duvido, quero saber por quê, quero me libertar, quero compreender… Não se pode querer dormir. Se quero, é sempre antes permanecer acordado, ou melhor, despertar sem cessar. Ao despertar, constato que sofro, que mudo, que sou diverso, que não compreendo nada; e quanto mais desperto, mais me torno um infeliz, um covarde, um imbecil. Quanto mais desperto, mais desejo me transformar e mais valor atribuirei a essa Verdade da qual nada sei, que para mim apenas expressa a absurda negação de minha presente decadência.

*PS: Trecho de uma página inédita de René Daumal publicada por Henri Hell na revista Fontaine nº 52 (1946).

DAUMAL, René. Poésie noire et poésie blanche. Paris: Éd. Voix D'Encre, 2015*

/home/mccastro/public_html/litteratura/data/pages/autores/daumal/carta-a-si-mesmo/start.txt · Last modified: by 127.0.0.1

Except where otherwise noted, content on this wiki is licensed under the following license: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki