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Antonio Machado: CANTARES

<p class=“post_excerpt”><a href=“http://es.wikisource.org/wiki/Proverbios_y_cantares_%28Campos_de_Castilla%29”>Proverbios y cantares (Campos de Castilla)</a></p>

<quote>Tudo passa e tudo fica

porém o nosso é passar,

passar fazendo caminhos

caminhos sobre o mar

Nunca persegui a glória

nem deixar na memória

dos homens minha canção

eu amo os mundos sutis

leves e gentis,

como bolhas de sabão

Gosto de vê-los pintar-se

de sol e graná voar

abaixo o céu azul, tremer

subitamente e quebrar-se…

Nunca persegui a glória

Caminhante, são tuas pegadas

o caminho e nada mais;

caminhante, não há caminho,

se faz caminho ao andar

Ao andar se faz caminho

e ao voltar a vista atrás

se vê a senda que nunca

se há de voltar a pisar

Caminhante não há caminho

senão há marcas no mar…

Faz algum tempo neste lugar

onde hoje os bosques se vestem de espinhos

se ouviu a voz de um poeta gritar

“Caminhante não há caminho,

se faz caminho ao andar”…

Golpe a golpe, verso a verso…

Morreu o poeta longe do lar

cobre-lhe o pó de um país vizinho.

Ao afastar-se lhe vieram chorar

“Caminhante não há caminho,

se faz caminho ao andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Quando o pintassilgo não pode cantar.

Quando o poeta é um peregrino.

Quando de nada nos serve rezar.

“Caminhante não há caminho,

se faz caminho ao andar…”

Golpe a golpe, verso a verso.</quote>

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