Carrière
Jean-Claude Carrière
Às vezes, no que é contado, é difícil distinguir o que é verdadeiro do que é inventado. O real e o imaginário, há muito tempo, divertem-se em se unir, em se seduzir, em se afastar e em fugir um do outro. Mas “a imaginação é a rainha do verdadeiro”, disse (creio eu) Baudelaire. E o contrário é igualmente verdadeiro. O verdadeiro dá origem ao imaginário.
Tudo é, portanto, verdade.
A esse respeito, um autor sul-americano, cujo nome infelizmente esqueci, escreveu em algum lugar que conhecemos e contamos dois tipos de histórias: as que são verdadeiras e as que são inventadas. Mas, acrescenta esse autor, e não posso deixar de concordar, pois toda a arte do contador de histórias está aqui em jogo, “uma história inventada deve parecer verdadeira, e uma história verdadeira deve parecer inventada”.
Que fique claro.
