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Efêmero

SIGNORILE, Patricia. Paul Valéry, philosophe de l’art: l’architectonique de sa pensée à la lumière des “Cahiers”. Paris: J. Vrin, 1993.

A ARQUITETURA DO EFÊMERO OU O EFÊMERO COMO CAMPO DE EXPERIÊNCIAS

O que há de mais impressionante na vida é o consumo contínuo e a transformação permanente, cuja morte é uma interrupção definitiva.

  • A citação “Ensinar que tudo só se sustenta por um concerto extraordinário de condições, de ajustes, que as casas repousam sobre um solo, que a vida se prende a x circunstâncias simultâneas” é incluída.
  • Nesta arquitetônica do efêmero, a vigília e suas diversas fases tornam-se o território privilegiado de experiências diversas, enquanto o sono é a origem e o zero.
  • A luz, na qual o sujeito e as coisas banham, parece tecer o vínculo entre eles, e o edifício deve ser retomado do qualquer, do visível não visto, para enfim ser visto.

O SONO E A ATENÇÃO: A PREPARAÇÃO PARA A AÇÃO

Se se toma o estado zero, tem-se o sentido do verdadeiro edifício de tudo o que existe.

  • As citações “Vê-se muito bem ao despertar. Seja o que for é como sustentado por uma construção de funções – e essas funções sempre em ação” e “Se se toma o estado zero, tem-se o sentido do verdadeiro edifício” são incluídas.
  • Durante o sono, todo o ser é reduzido ao estado em que se encontra durante a vigília sua parte vegetativa.
  • O sono e o sonho ilustram a modificação da energia; o dorminhoco transforma uma fase sólida em uma líquida, vendo amolecerem os sólidos que serviam de metros.
  • No sonho, a grandeza e a distância não revestem importância alguma, e as relações novas com as imagens são como ilimitadas.
  • O sono abaixa o número de equações simultâneas do estado de vigília, sendo compensado na fase onírica por desenvolvimentos; o despertar, por sua vez, é um golpe de memória geral que reconduz o sistema a seus deveres.
  • O sonho é uma consciência imageante; o sonhador registra os dados e os transforma, mas eles não são ativos, e o possível não existe no sonho.
  • O fenômeno da atenção pertence à série das funções ativas, servindo para iluminar a natureza da percepção e da consciência.
  • A psicologia da percepção ocupa um lugar importante na obra de Valéry, recenseando as infraestruturas psíquicas e as superestruturas espirituais.
  • Toda obra resulta de um ato, e os três leis (o funcional, o significativo e o acidental) estão em plena luz.
  • A compreensão é o corolário da capacidade de fazer e agir, e todos esses elementos são ativados pela vontade e pelo esforço.

A VONTADE E O ESFORÇO NO HOMEM E NA NATUREZA

A leitura de “O Mundo como Vontade e Representação” parece ter tido uma influência considerável sobre o espírito de Valéry.

  • A vontade se assemelha a um deslocamento de energia, assegurando a ligação entre a consciência e o real e fazendo coincidir o mundo e a representação elaborada pelo sujeito.
  • A vontade é trágica na medida em que é superação de si, ipsidade, e toma sua fonte numa estreita consciência existencial inscrita no corpo.
  • A consciência do esforço se mede por uma diferença sentida entre os meios e os fins, sendo tanto física quanto intelectual.
  • A relação se cria na atividade lúdica desencadeada por uma imagem e a energia utilizável; há imagens isca que são intermediárias entre o querer e o agir.
  • A citação “É preciso querer (…) e não excessivamente querer” (Ponge citando Valéry) é incluída.
  • O hábito, paradoxalmente, não engendra ganho de tempo nem aperfeiçoamento; na fase de degradação, ela é a fonte de uma perda.
  • O belo resulta da harmonia das leis no domínio do espírito; a arquitetura do templo grego demonstra, pelo ritmo da fachada, a composição de elementos que se respondem.
  • Apenas o homem conserva a possibilidade de refazer, enquanto tudo o que a árvore faz a modifica sem retorno; a natureza não se desprende de sua obra.
  • A forma ganha corpo em um universo concreto, que é o das mãos do homem; a natureza não utiliza os materiais como o faz o homem, e a natureza não constrói, mas deixa crescer.
  • A citação “o vegetal é uma análise em ato, uma dialética original no espaço” (Ponge) é incluída.

A LUZ COMO DISPARADORA DA AÇÃO E A CONCEPÇÃO DO ESPAÇO

A luz age, e essa ação age sobre a motricidade; o corpo possui também uma luz, pois o olhar é uma luz.

  • As citações “O olhar não se dirige a um ponto de apoio qualquer, mas a um valor que lhe apresenta uma coisa qualquer – e isso é tudo” e “o olhar é uma luz” são incluídas.
  • A potência exterior indispensável desperta uma vontade, fazendo surgir um começo de um fato que é o possível aparecido como fato.
  • Todo o sensível é essencialmente cinestésico; a sensibilidade e a motricidade constituem o ato ao mesmo tempo que o traçado do espaço.
  • O espaço é elaborado a partir dos valores da corporalidade: espaço óculo-motor, espaço produzido pelo movimento da cabeça, espaço tátil, sendo o espaço o nome do valor de transformações possíveis de um sistema sensório-motor.
  • Valéry confessou um conflito em seu espírito entre as raízes motoras do espaço e a ideia dos conjuntos de pontos, pois ligar dois pontos é impossível como em Zenão de Eléia.
  • Quando analisa o movimento provocado pela luz, Valéry elabora uma fenomenologia da sensibilidade cinestésica, que é atividade, mas não produz intenções objetivantes.
  • O olho que olha, a mão que agarra e a consciência não se limitam a uma atividade inconsciente de si mesma, embora centrada em si.
  • A vontade, o poder e o ver erigem-se em valor epistemológico, tornando-se funções do conhecimento objetivo; o ver participa do ato.
  • A intencionalidade é concebida como vontade criadora, fundando uma teoria geral da representação.
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