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Ardor
CALASSO, Roberto. O ardor. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
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Eles eram seres remotos, distantes não apenas do homem moderno, mas também de seus contemporâneos antigos, como um corpo celeste.
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A distância torna o ponto de observação quase irrelevante, seja ele o presente ou o passado remoto.
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Para os nascidos na Índia, certas palavras e formas podem parecer familiares como um atavismo invencível, mas são fragmentos dispersos de um sonho cuja história foi apagada.
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Não se pode ter certeza de quando ou onde viveram, apenas que foi há mais de três mil anos no norte do subcontinente indiano, sem fronteiras exatas.
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Eles não deixaram objetos ou imagens, apenas palavras, versos, fórmulas rituais e comentários meticulosos.
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No centro dos rituais aparecia o soma, uma planta intoxicante não identificada com certeza, sobre a qual eles próprios já falavam como uma coisa do passado que não podiam mais encontrar.
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A Índia védica não teve figuras como Semíramis ou Nefertiti, sendo a civilização onde o invisível prevaleceu sobre o visível.
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Nenhum Cecil B. DeMille conseguiu filmá-la, e não há ajuda de eventos históricos, pois não há vestígios deles; apenas os textos do Veda, o Conhecimento, permanecem.
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Os versos fazem parte de ações rituais altamente complexas, que vão da libação dupla, agnihotra, realizada diariamente pelo chefe da família, até o impressionante sacrifício do cavalo, aśvamedha.
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Os Āryas, como os homens védicos se autodenominavam, ignoravam a história com um desdém sem igual, tendo seus reis conhecidos apenas por menções no Ṛgveda e anedotas nos Brāhmaṇas e Upaniṣads.
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Eles não se preocupavam em deixar registro de conquistas, pois os eventos sobre os quais há informação tratam menos de façanhas e mais de conhecimento.
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Quando falavam de “atos”, pensavam principalmente em atos rituais, preferindo pensar sobre a essência da soberania, identificada em sua dualidade entre brâmanes e kṣatriyas, auctoritas e potestas.
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A história pode ser considerada à luz dessas relações, que estão em constante mudança, e sobre essa diarquia a civilização védica concentrou sua atenção com suprema clarividência.
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O culto foi confiado aos brâmanes e o governo aos kṣatriyas, sendo o restante construído sobre essa fundação que tinha seu modelo no céu com Indra como rei e Bṛhaspati como brâmane dos Devas.
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Entre os dois, havia uma terceira figura: Soma, o objeto de desejo, um rei e um suco intoxicante que se comportou de maneira indelicada e elusiva.
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O rei Soma, “arrogante com a soberania suprema que havia adquirido”, raptou Tārā, esposa de Bṛhaspati, e com ela gerou Budha.
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Brahmā perguntou a Tārā: “Diga-me, minha filha, este é filho de Bṛhaspati ou de Soma?”, e ela teve que admitir que traíra o marido.
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Uma guerra amarga foi travada entre Devas e Asuras antes que Soma devolvesse Tārā a Bṛhaspati, pois o Ṛgveda diz: “Terrível é a esposa do brâmane, se for raptada; tal coisa cria desordem no mais alto céu.”
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Não havia templos, santuários ou muros; os reis se moviam em carruagens com rodas raiadas e, ao parar, sua primeira preocupação era construir e acender três fogos.
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Eles sabiam cozer tijolos, mas os usavam apenas para construir o altar do fogo em forma de pássaro, chamado de “altar de fogo”.
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Passavam a maior parte do tempo em uma clareira vazia, ocupados ao redor dos fogos, murmurando palavras e cantando fragmentos de hinos, um modo de vida insondável que exigia longo treinamento.
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Sem interesse em esculpir figuras dos deuses, sua mente fervilhava com imagens.
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Quando o povo do Veda desceu para Saptasindhu, a Terra dos Sete Rios, abriram caminho com o fogo, que era um deus: Agni, vivendo em aldeias temporárias e seguindo os rebanhos em direção ao leste.
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Grupos de homens podiam ser vistos distantes das aldeias, movendo-se sobre espaços nus ao redor de fogos permanentemente acesos, com um murmúrio de vozes entremeado por cânticos.
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Restos tangíveis do período védico são muito poucos; em vez disso, construíram um Partenon de palavras: a língua sânscrita, pois saṃskṛta significa “perfeito”, segundo René Daumal.
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A razão para não querer deixar vestígios é que, se o único evento importante é o sacrifício, o altar de fogo sobe e entra no sol brilhante após o sacrifício ser concluído.
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Toda construção é temporária, incluindo o altar de fogo; não é um objeto fixo, mas um veículo, e uma vez completada a viagem, o veículo pode ser destruído.
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O mundo era dividido em duas partes, aldeia e floresta, cada uma com regras diferentes, e todas as aldeias seriam abandonadas à medida que a existência seminômade avançava.
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O lugar sagrado era a cena do sacrifício, escolhida a cada vez seguindo critérios estabelecidos: alto, plano, firme, inclinado para o leste e levemente elevado ao sul.
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Se o terreno fosse mais baixo ao sul, o sacrificador logo passaria para o submundo; sendo levemente elevado ao sul, o sacrificador viverá muito.
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O local alto e firme é a origem do palco como um lugar pronto para acomodar todos os significados possíveis, descrevendo como o mundo é feito, onde os deuses foram e onde jaz a morte.
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No terreno do sacrifício há pouco para ver, sendo a maior parte da jornada no invisível, repleta de perigo e angústia, como uma viagem marítima arriscada amada por Conrad.
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O povo védico, embora sem grande experiência em oceanos, gostava de se referir a um “oceano”, samudrá, sempre que falavam do céu, que era o oceano real continuando na terra.
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O canto bahiṣpavamāna é, em verdade, um barco rumo ao céu: os sacerdotes são seu mastro e seus remos são os meios para alcançar o mundo celestial.
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Se um dos sacerdotes for indigno, ele fará o barco afundar, e todo sacrifício é um barco navegando em direção ao céu, mantendo-se um sacerdote indigno longe de qualquer sacrifício.
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Embora o palco do sacrifício pareça um lugar comum, uma tremenda concentração de forças reside ali, focada em poucos objetos que são fragmentos do “raio”, vajra.
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Um objeto é a espada de madeira que os oficiantes seguram; outro é o poste; a carroça que transporta o arroz também é uma força sacrificial e a flecha lembra a quebra do vajra.
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Os brâmanes são responsáveis pela espada de madeira e pelo poste; os kṣatriyas pela carroça e pela flecha, uma divisão astuta entre as duas formas de soberania.
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A espada de madeira, dada ao brâmane, é o único dos quatro objetos que representa o raio em sua totalidade, pois “é o raio e nenhum homem pode segurá-lo: ele o segura com a ajuda dos deuses”.
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O tecido de relações entre auctoritas e potestas, entre poder espiritual e temporal, entre brâmanes e kṣatriyas, é um tema perpétuo e ilimitado na Índia.
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Os ancestrais dos brâmanes eram “videntes”, os ṛṣis, cujo primeiro foram os Sete Videntes, que habitavam as sete estrelas da Ursa Maior e detinham terrível poder destrutivo.
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Os exércitos de um rei nunca foram tão devastadores quanto o tapas, o ardor de um ṛṣi.
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Os kṣatriyas, por outro lado, estavam ansiosos não apenas por poder, e nos Upaniṣads encontram-se kṣatriyas que iluminam brâmanes ilustres sobre certas doutrinas extremas que os próprios brâmanes não podiam compreender.
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Há uma enorme variação entre os restos físicos rudimentares da civilização védica e a complexidade, dificuldade e ousadia de seus textos.
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O povo védico conhecia tijolos e os usava, mas apenas para empilhar no altar de fogo, desenvolvendo toda uma teologia em torno de “tijolos”, iṣṭakā, associados à “oblação”, iṣṭi.
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Louis Renou reconheceu que “o Veda se move em um estado de pânico”, sendo os hinos “obras frenéticas, produzidas em uma atmosfera de justa oratória, onde a vitória é obtida melhor formulando (ou adivinhando mais rapidamente) os enigmas místico-rituais”.
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A derrota poderia significar uma sentença de morte, com cabeças se partindo em pedaços, sem necessidade de um carrasco.
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Dentre todos os que pertenciam à civilização do Indo, conhece-se apenas um nome: Su-ilisu, um intérprete que aparece como um anão ou criança em um selo acadiano.
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As palavras esculpidas sobre a imagem lêem: “Su-ilisu, tradutor de Meluhha”, e outros selos falam de mercadorias dessa civilização que durou pelo menos mil anos.
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Tem havido tentativas febris de desenterrar ossos de cavalo no Punjab para provar que o cavalo já estava nas regiões, mas nada disso foi apoiado pela evidência arqueológica.
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O soma, seja o que for, crescia nas montanhas, que não fazem parte da paisagem de Harappa e Mohenjo-daro, e não há vestígios de guerreiros em carruagens com cavalos nos selos da civilização do Indo.
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Na Índia védica, a história não era algo digno de nota, e a historiografia aparece muito mais tarde, quando as crônicas medievais estavam sendo escritas no Ocidente.
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A cronologia à qual os ritualistas se referem é geralmente um tempo dos deuses e do que ocorreu antes dos deuses, referindo-se raramente a algo “antiquado” para indicar uma passagem para o tempo da humanidade.
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O aśvamedha é mencionado como um “sacrifício antiquado” (ou “abandonado”, utsannayajña), talvez as especulações dos liturgistas já se referissem a um passado glorioso perdido.
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Ao contrário dos egípcios, sumérios ou chineses, eles evitaram vincular eventos aos anos, pois os atos litúrgicos eram o único factum conectado a um verum, e tudo fora do ritual pertencia ao vasto reino da inverdade.
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A Índia védica é fundada em uma rigorosa exclusividade (apenas os que participam do sacrifício podem ser salvos) e em uma necessidade de redenção total (estendendo-se a todos os seres vivos).
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“Aquelas criaturas que não são admitidas ao sacrifício estão perdidas; ele, portanto, admite ao sacrifício aquelas criaturas aqui na terra que não estão perdidas; atrás da humanidade estão as bestas; e atrás dos deuses estão os pássaros, as plantas e as árvores.”
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Nada era tão sério quanto ser excluído do sacrifício, e para que a salvação acontecesse, ela tinha que se estender a tudo.
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Apenas o cruel povo védico, dedicando-se incessantemente a sacrifícios sangrentos, pensou em como salvar as árvores, plantas e todos os outros seres vivos, admitindo todas essas criaturas ao sacrifício.
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Ao se familiarizar com o mundo védico, tem-se a impressão de estar em um mundo autossuficiente e autossegregado, o que explica um certo prazer perverso entre os grandes vedistas.
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Louis Renou mencionou em 1951 o isolamento do Veda como razão para o declínio do interesse pelos estudos védicos, afirmando que ele se desenvolveu em isolamento.
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Abel Bergaigne estudou o Ṛgveda como um mundo completo em si mesmo, e Renou publicou dezessete volumes de seus Études védiques et paninéennes sem nunca completar a tarefa.
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Nenhuma outra civilização pode oferecer algo comparável ao corpus védico em termos de rigor de sua estrutura formal, exclusão de toda referência ao tempo e meticulosidade dos vínculos internos.
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Teorias abundam sobre as origens daqueles que se descreviam como Āryas, mas Frits Staal formulou que, há mais de três mil anos, pequenos grupos de povos seminômades cruzaram as montanhas falando uma língua indo-europeia.
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Eles celebravam o fogo, Agni, e adotaram o culto de Soma, uma planta provavelmente alucinógena que crescia nas altas montanhas.
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A interação entre esses aventureiros da Ásia Central e os habitantes anteriores do subcontinente indiano deu origem à civilização védica, nomeada a partir dos quatro Vedas.
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Desde o início, foi uma empresa preocupada não tanto com a conquista territorial, mas com um culto ligado a textos de extrema complexidade e uma planta intoxicante.
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Ya evaṃ veda, “aquele que conhece assim”, é uma fórmula recorrente no Veda, pois conhecer, e conhecer de uma certa maneira, era algo muito importante para os homens védicos.
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Poder, conquista, prazer apareciam como fatores secundários que faziam parte do conhecimento, mas certamente não podiam suplantá-lo.
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O vocabulário védico é extremamente sutil e altamente distinto ao definir tudo relacionado ao pensamento, inspiração e exaltação.
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O que é dhī? Pensamento intenso, visão, inspiração, meditação, oração, contemplação; de tempos em tempos, tudo isso, com a suposição da supremacia do conhecimento sobre todos os outros caminhos para a salvação.
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Por que os homens védicos eram tão obcecados por rituais? Porque queriam pensar e viver apenas em certos estados de consciência, tendo rejeitado todo o resto.
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Eles queriam pensar – e, acima de tudo: queriam estar conscientes de pensar, como ao realizar um gesto, onde a atenção concentrada no gesto lhe dá significado.
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Roma antiga também era altamente ritualística, mas o ritual nunca se tornou tão radical, sendo canalizado para o direito, enquanto para o povo védico a mais alta concentração de pensamento era no gesto – e sem nenhum propósito ulterior.
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Pensar brahman, que é o extremo de tudo, significa ser brahman; esta é a doutrina subjacente.
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Quanto mais as discussões sobre secularização se acirram, mais fácil é esquecer que o Ocidente tem sido secular desde o início, com os gregos sendo os primeiros seres inteiramente idiossincráticos.
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Os gregos sabiam quem e o que eram seus deuses, encontrando-se com eles, e um átheos era, acima de tudo, alguém abandonado pelos deuses, não alguém que se recusa a acreditar neles.
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A Índia védica e a Grécia antiga se espelham: na Índia, todos os textos são sagrados, de origem não humana, transmitidos por uma classe sacerdotal; na Grécia, todos os textos são seculares, atribuídos a autores, transmitidos fora de uma classe sacerdotal.
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Quando certas figuras convergem, como no caso de Helena e dos Dióscuros com as histórias de Saraṇyū e os Aśvins, essa afinidade indica que estamos nos aproximando de algo inerente à experiência de toda mente.
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Um número considerável de estudiosos reduziu suas descrições do povo védico por medo de acusações de apresentá-los como predadores arianos louros.
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Eles não são mais conquistadores, mas um grupo de migrantes que se infiltra em novas terras, encontrando pouca resistência, pois a civilização do Indo anterior já estava extinta.
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Michael Witzel lembra que “os nazistas perseguiram e assassinaram centenas de milhares dos únicos arianos verdadeiros na Europa, os ciganos (Rom, Sinti)”, que falam uma língua neo-indiana antiga.
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Os Āryas podem não ter se lançado em conquistas esmagadoras, mas o reino das imagens é cativado pelo trovão de seus cavalos e carruagens de guerra, como descrito nos hinos do Ṛgveda: “Vinde, ó Maruts, com vossas carruagens feitas de raios, carregadas de canções, carregadas de lanças, com cavalos como asas!”
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Quando Louis Renou publicou suas primeiras traduções do Ṛgveda em 1938, citou Paul-Louis Couchoud dizendo que os hinos védicos têm algo a ver com o Orfismo de Mallarmé.
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“A explicação órfica da Terra”, a definição última de poesia segundo Mallarmé, aplica-se não tanto aos hinos órficos tardios, mas acima de tudo aos hinos védicos.
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Renou traduziu o início do hino 4.58, ao ghṛtá, a manteiga clarificada: “Do oceano a onda de mel surgiu: com o talo do soma assumiu a forma de ambrosia. Este é o nome secreto da manteiga clarificada: língua dos deuses, umbigo do imortal.”
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Para um ocidental treinado em filologia, é difícil pensar em algo mais frustrante do que a história indiana, com areias movediças em todas as direções, datas e números nunca certos.
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O que trouxe a passagem do Ṛgveda para os Brāhmaṇas? E dos Brāhmaṇas para os Upaniṣads? Todo gênero literário já está esboçado no que veio antes ou coexiste com o que veio depois.
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O caminho que leva mais longe ainda é o autorreferencial: o Ṛgveda tem que ser compreendido através do Ṛgveda, e os Brāhmaṇas através dos Brāhmaṇas.
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Vista do ponto de vista do Iluminismo, o Veda é escuro como a noite, denso, um mundo autossuficiente e convulsivo, sem curiosidade sobre qualquer outro modo de existência.
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Certos detalhes ajudam a compreender a estranheza, a intratável singularidade védica: o primeiro comentário completo do Veda, o de Sāyaṇa, data do século XIV, como se o primeiro comentário sobre Homero tivesse sido escrito 2.100 anos após a Ilíada.
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O mundo do Veda é feito de seus elementos: fogo, água; entre os animais: vaca, cavalo, cabra; um “oceano”, samudrá; a palavra, eros, a liturgia; rochas, montanhas; bandos de guerreiros.
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Certas palavras-chave surgem repetidamente, como padá, a pegada da vaca, que também significa “passo”, “pegada”, “trilha”, “estadia”, “região”, “pé (métrico)”, “raio”, “palavra (única)” ou “fala”.
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Sobre o “padá oculto”, Renou diz que é “o mistério por excelência, que o poeta tenta revelar”.
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No início, havia um rei mudo, Māthava de Videha, que mantinha na boca o fogo Agni Vaiśvānara, e ao seu lado um brâmane, Gotama, que o provocou com perguntas e invocações rituais.
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As invocações do brâmane conseguiram expulsar o fogo, que irrompeu de sua boca e caiu na terra, começando a queimá-la para o leste.
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O rei perguntou por que Agni havia caído de sua boca quando ouviu uma certa invocação e não antes, e o rei respondeu: “Porque manteiga clarificada é mencionada nessa invocação – e Agni a ama.”
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O primeiro ato da história não é do governante, mas do brâmane, daquele que incendeia cada evento, e os homens sempre seguem o caminho deixado pelo fogo: é Agni que conquista.
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Se os homens védicos tivessem sido perguntados por que não construíam cidades, reinos ou impérios, poderiam ter respondido: não buscamos poder, mas arrebatamento, se arrebatamento é a palavra que melhor descreve o efeito do soma.
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Eles descreveram isso da maneira mais direta: “Bebemos agora soma, tornamo-nos imortais, atingimos a luz, encontramos os deuses. O que a malícia e o ódio de um mortal podem nos fazer agora?”
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Eles disseram do soma: “Você é o guardião do nosso corpo, ó soma; você se instalou em cada membro como um guardião”, onde a intoxicação era uma casca protetora.
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O desejo último era a vida infinita: “Ó rei Soma, prolongue nossos dias como o sol prolonga os dias da primavera”, apresentando o infinito como uma expansão gradual e imperceptível do domínio da luz.
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