autores:steiner:antigona-goethe
GOETHE E ANTÍGONA: CRÍTICA, CRIAÇÃO E ÉTICA DO TRÁGICO
STEINER, George. Antigones. New Haven London: Yale University Press, 1996.
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Indissociabilidade entre crítica literária e produção poética
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A atividade interpretativa é compreendida como prática orientada por exigências internas da criação artística
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A crítica não se apresenta como comentário externo ou retrospectivo, mas como momento funcional da própria obra
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A reflexão teórica emerge integrada à necessidade produtiva e formal do fazer poético
A interpretação assume caráter operativo-
Criticar é agir, e agir é interpretar
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A análise estética participa do mesmo regime de verdade da criação artística
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Inserção da reflexão crítica no corpo da obra dramática
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As considerações sobre Hamlet são integradas organicamente à economia narrativa de Wilhelm Meisters Lehrjahre
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A reflexão sobre a arte clássica é dramatizada no Ato de Helena da segunda parte de Faust
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O pensamento estético é encenado, não exposto discursivamente
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A teoria assume forma sensível e dramática
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Centralidade da antiguidade grega na formação espiritual
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A relação com a arte antiga não é episódica nem erudita, mas constitutiva
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A antiguidade, e particularmente a arte ática, funciona como matriz normativa da criação moderna
A estratégia existencial de retorno aos gregos-
A referência à Grécia é apresentada como condição de resistência às pressões do mundo moderno
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O apoio nos gregos garante orientação, estabilidade e profundidade histórica
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O paradigma grego da plenitude vital
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A noção de felicidade natural como traço distintivo da cultura grega
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A realização orgânica das potencialidades humanas define a excelência antiga
Consonância entre ação individual e ordem comunitária-
A energia vital é investida diretamente na realidade histórica concreta
O contraste com a modernidade-
Na modernidade, os valores deslocam-se para o domínio da interioridade abstrata
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O rompimento entre percepção e realidade gera uma dissociação estrutural incurável
Aproximação conceitual com a problemática hegeliana-
A oposição entre antiguidade e modernidade ecoa a cisão entre efetividade e consciência
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A exemplaridade dos poetas trágicos
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Fusão entre palavra e mundo como critério supremo da grande arte
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A linguagem trágica nasce sob pressão de ações claras e decisivas
Hierarquização simbólica-
Homero como centro solar da poesia ocidental
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Os três tragediógrafos como corpos orbitais fundamentais
Avaliação diferencial das grandezas trágicas-
Ésquilo representa a magnitude primordial e excessiva
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Eurípides inaugura a complexidade psicológica e a experimentação lírica
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Sófocles ocupa a posição mediana e harmônica
Sófocles como medida do trágico ideal-
A mediania não é deficiência, mas equilíbrio formal supremo
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A perfeição do pathos trágico encontra-se no ajuste exato entre sofrimento e forma
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Lugar singular de Sófocles na economia estética
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Realização máxima da catarse em Oedipus em Colono
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O terror é apaziguado sem dissolver sua gravidade
Modelo para a transfiguração final de Faust-
A figura do velho cego assume função paradigmática
Concordância entre pensamento e ação-
A figura cívica de Sófocles encarna o ideal de unidade ética e poética
Afinidade entre Sófocles e Torquato Tasso-
A exploração da concordância interior confere tonalidade sofocliana à obra moderna
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Aparente marginalidade de Antígona na reflexão explícita
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Hipótese superficial da rejeição da catástrofe absoluta
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A violência irredutível do desfecho não afasta Goethe da obra
A concepção de reconciliação trágica-
A reconciliação é compreendida como culminação ética do trágico
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Essa reconciliação pode exigir sacrifício humano radical
A tragédia não exclui o horror-
A imolação é reconhecida como preço necessário da ordem moral
Centralidade implícita de Antígona-
A ausência discursiva reflete a incorporação estrutural do modelo trágico
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Ifigênia como transposição sofocliana
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Origem mítica euripidiana e herança esquiliana
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A matéria narrativa deriva de tradições anteriores
Predominância do espírito sofocliano-
A forma dramática e o núcleo ético afastam-se dos modelos originais
Estrutura fundamental do conflito-
O embate entre reflexos arcaicos e racionalização civilizatória
Ambiguidade da civilização-
A vitória da razão exige reconhecimento de sua própria falsidade parcial
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A racionalidade recorre a meios enganosos
Paridade moral entre antagonistas-
O conflito não opõe verdade e erro, mas ilusões concorrentes
Convergência com a morfologia hegeliana do trágico-
A colisão entre potências éticas remete ao modelo sofocliano
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Ifigênia como figura ética exemplar
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Superação da duplicidade do conflito
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A personagem impõe uma exigência ética de ordem superior
Afinidade com o imperativo kantiano-
A ação moral emerge como obrigação incondicional
Reenvio constante ao precedente de Antígona-
A estrutura ética da resistência feminina repete o modelo trágico clássico
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A lei antiga e o limite humano
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Afirmação da distância entre deuses e mortais
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A proximidade excessiva com o divino gera vertigem e destruição
A linhagem de Tântalo como advertência trágica-
A violação do limite funda a catástrofe
Interiorização da voz divina-
Os deuses falam por meio da consciência
Reatualização do confronto Antígona-Creonte-
O conflito entre decreto humano e lei antiga estrutura o drama
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Isolamento do soberano e solidão do poder
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A figura de Toas como eco de Creonte
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A autoridade absoluta termina em isolamento
O reconhecimento da humanidade do governante-
A barbárie revela traços de autenticidade vital
Permanência da perda como marca do poder político-
O Parzenlied como recriação coral
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Metamorfose dos cantos corais sofoclianos
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Integração do primeiro estásimo e das reflexões sobre a herança da ruína
Tradução no sentido mais elevado-
O núcleo de sentido é preservado além da literalidade
Equivalência métrica e rítmica-
A cadência violenta e martelada do coro antigo é recriada em língua moderna
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Antígona como arquétipo da consciência ética
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Centralidade do Sittliche como ação primordial
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A consciência ética constitui o verdadeiro motor da tragédia grega
A formulação mais pura do dever moral-
O imperativo ético atinge em Antígona sua expressão máxima
Irmandade espiritual entre Antígona e Ifigênia-
Ambas encarnam a manifestação exemplar do princípio ético
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A visualidade mítica e a fixação simbólica de Antígona
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A leitura de Filóstrato como exercício didático
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A imagem fornece modelos de representação e de sentido
Antígona como figura escultórica e tátil-
A presença física é enfatizada como portadora de valor ético
Continuidade do ódio fraterno além da morte-
A simbologia do sangue e do fogo preserva a negatividade originária
Ausência de dissenso quanto ao valor de Antígona-
A avaliação permanece inteiramente afirmativa
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Crítica explícita à leitura hegeliana
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Rejeição do jargão abstrato e da sistematização excessiva
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A linguagem filosófica obscurece a experiência trágica
Contestação da redução do trágico ao conflito Estado-família-
Outros princípios trágicos possuem igual legitimidade
Recusa da interpretação metafísica de Sófocles-
O poeta é compreendido como dramaturgo prático
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O pensamento está implícito no mito, não imposto a ele
Condenação da reabilitação ética de Creonte-
O decreto é caracterizado como crime político
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A obstinação do governante é descrita como blasfema
A retórica sofística como fonte de engano interpretativo-
A persuasão pode simular legitimidade onde há erro
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Função estrutural de Creonte
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Creonte como contraponto necessário
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Sua rigidez provoca a revelação da grandeza ética de Antígona
A função negativa como esclarecimento moral-
O erro do governante torna visível a altura da ação justa
Ismene como medida do ordinário-
A mediania cotidiana realça a excepcionalidade moral de Antígona
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Encerramento normativo
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Ausência de enigma metafísico
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O trágico oferece iluminação moral e poética
A exigência permanente de retorno aos gregos-
A compreensão da condição humana requer estudo incessante da tragédia antiga
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