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A Odisseia pertence a uma época cujo pensamento se achava já em alto grau ordenado racional e sistematicamente, e o poema completo foi terminado naquele período e manifesta claramente suas huellas.
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Vê-se na Ilíada um pensamento moral e religioso já muito avançado lutar com o problema de pôr em concordância o caráter originário, particular e local da maioria dos deuses, com a exigência de uma direção unitária do mundo.
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A humanidade e a proximidade dos deuses gregos levava a raça, com plena consciência de seu orgulho aristocrático, a considerar que a vida e as atividades das forças celestes não eram muito distintas das que se desenvolviam em sua existência terrena.
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Só na Odisseia se acha uma concepção do governo dos deuses mais consequente e sistemática, tomando da Ilíada a ideia de um concílio dos deuses, mas saltando à vista a diferença das cenas tumultuosas do Olimpo da Ilíada e os maravilhosos conselhos de personalidades sobre-humanas da Odisseia.
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O deus Zeus, que preside o conselho dos deuses ao começo da Odisseia, representa uma alta consciência filosófica do mundo, começando sua consideração sobre o destino presente mediante o planteamento geral do problema dos sofrimentos humanos e da conexão inseparável do destino com as culpas humanas.
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Para o poeta, a mais alta divindade é uma força sublime e onisciente que se acha por cima dos esforços e pensamentos dos mortais, e sua essência é o espírito e o pensamento, não sendo comparável com as míopes paixões que acarretam as faltas dos homens e os fazem cair nas redes de Até.
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O poeta considera, desde este ponto de vista ético e religioso, os sofrimentos de Odisseu e a híbris dos pretendentes expiada com a morte, e a ação transcorre em torno a este problema unitário até o fim.
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Pertence à essência desta história o fato de que a vontade mais alta, que orienta de modo consequente e poderoso o conjunto da ação e a conduz a um resultado justo e feliz, apareça claramente em seu momento culminante, ordenando o poeta tudo quanto ocorre no sistema de seu pensamento religioso.
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A unidade e a rigorosa economia da construção, sentida desde todos os tempos como um de seus traços fundamentais, depende das grandes linhas do problema religioso e ético que desenvolve, ao lado de uma riqueza inesgotável de traços espirituais que vão desde o fabuloso até o idílico.