A literatura é um saber líquido e misterioso, acessível apenas pela composição literária, que se manifesta por intuições e analogias
-
A literatura absoluta é “um saber” que se declara e se pretende inacessível por outra via que não seja a composição literária
-
“Absoluta” porque é um saber que se assimila à busca de um absoluto, e também algo de ab-solutum, solto de qualquer vínculo de obediência ou pertencimento, de qualquer funcionalidade em relação ao corpo social
-
Nietzsche atribuiu à arte uma suprema qualidade gnoseológica, pois “o instinto fundamental do homem” é “o instinto a formar metáforas”
-
O saber da literatura absoluta se manifesta por intuições e revelações súbitas
-
A literatura absoluta opõe-se à leitura crociana de
Baudelaire, que criticava a falta de “pureza da forma” e a “intelectualidade ou reflexão” na trama poética
-
A analogia é um mecanismo fundamental do pensamento posto em ação pela literatura absoluta, sendo um instrumento retórico e uma faculdade da mente humana
-
“A literatura cresce como a erva entre as lâminas cinzentas e possantes do pensamento”
-
A literatura absoluta é uma mitologia definitiva em que confluem todas as histórias e saberes do planeta, um tipo de conhecimento ambíguo e oniabrangente, mas sem um fim
-
Os escritores da literatura absoluta estão unidos por uma “radical apostasia da história e da sociedade”, opondo-se à “teologia social” que nega o religioso
-
“Quem reconhece mas não se reconhece em nenhum corpo social é um estranho. É o estrangeiro irredutível. Somente no âmbito da literatura poderá declarar-se, porque a literatura é o lugar mesmo do que não é vinculante”
-
Não se deve pedir à literatura que veicule “boas causas”
-
A arte tornou-se um mundo autônomo, colocado mais alto do que a moral e a religião, e os artistas reivindicam sua autonomia diante do mercado e da indústria cultural