Para todos os ocultistas, a garantia última de um mundo contínuo e uno é a possibilidade de transmutar os metais em ouro, ambição tão dominante que occultiste se identificava imediatamente para o vulgar a fazedor de ouro, Goldmacher; a crença na transmutação é comum a Paracelso e aos paracelsianos, aos alquimistas e aos cabalistas.
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Os Rosa-Cruz, escreve Gottfried Arnold, “eux aussi n'ont pas nié que la transmutation des métaux ne fût possible et se sont déclarés pour la vraie magie et l'art occulte, geheime Kunst, des philosophes anciens et modernes; ils ont aussi défendu la véritable chimie, die rechte Chimie, contre leurs adversaires, principalement dans leur Apologie”.
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“Transmutar” é, graças à pedra filosofal, que seria segundo Welling um composto das três matérias fundamentais, sal, enxofre e mercúrio, nas proporções 1, 3, 8, determinar o “ennoblissement” do metal, que se torna ouro.
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Essa operação química, pensa o alquimista, só pode ocorrer porque o ouro não é heterogêneo aos outros metais; sua diversidade e hierarquia residem unicamente na diferença de proporções dos elementos primeiros que os compõem.
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As teorias modernas da cindibilidade dos átomos e das valências químicas deixam, com efeito, prever a possibilidade de uma transmutação dos metais; o professor Miethe (1924) obteve artificialmente o ouro por desintegração de átomos de mercúrio?
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A transformação do rádio em hélio deu ao mundo moderno a prova científica “que tous les éléments ne sont que des modifications d'un Urelement et que par un groupement différent des atomes, notamment des ions, il est possible de transformer un élément en un autre”.
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Goethe falaria aqui de um Urphänomen, com o qual nos encontramos face ao mistério do mundo em si.
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Nota: G. Arnold, l. cit., I, 1123; Eugen Lahr, Der Stein der Weisen, Luxembourg, 1933, 32 e 38; F. Spunda, Das Weltbild des Paracelsus, 154.