A identificação da origem do contato com a obra de Emanuel Swedenborg é dificultada pelo impacto profundo que o visionário exerceu sobre uma vasta gama de autores lidos com afeição, incluindo Johann Wolfgang von Goethe, Samuel Taylor Coleridge, Ralph Waldo Emerson, Thomas De Quincey, Thomas Carlyle, Henry David Thoreau, Walt Whitman, Herman Melville, Nathaniel Hawthorne, Henry Wadsworth Longfellow, Emily Dickinson, Robert Frost, Algernon Charles Swinburne, Dante Gabriel Rossetti, August Strindberg, Friedrich von Schelling, Alfred Tennyson, William James, Henry James, Charles Sanders Peirce, William Butler Yeats, Edgar Allan Poe, Victor Hugo, Gustave Flaubert, Honoré de Balzac, Charles Baudelaire, Paul Valéry, George Sand, Robert Browning, Elizabeth Barrett Browning, Gilbert Keith Chesterton, Arthur Conan Doyle, Arthur Schopenhauer, Immanuel Kant, Carl Jung, Henry Corbin, Rudolf Steiner, Liev Tolstói, Fiódor Dostoiévski, Carl Sandburg, Soren Kierkegaard, Karl Jaspers, Bertrand Russell, C. S. Lewis, James Joyce e Howard Phillips Lovecraft.
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Johann Wolfgang von Goethe teria concluído Fausto após ler De Coelo et ejus Mirabilibus et de Inferno, conforme James Lawrence, enquanto Honoré de Balzac expõe a teologia espiritual em Serafita.
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A descoberta de Fiódor Dostoiévski é comparada por Jorge Luis Borges à descoberta do amor e do mar.
Permanece incerta a condição de leitores de Emanuel Swedenborg em relação a outros favoritos borgeanos como Oscar Wilde, Rudyard Kipling, Robert Louis Stevenson, Joseph Conrad, George Bernard Shaw, Samuel Johnson, William Wordsworth, Mark Twain, Miguel de Unamuno, Lewis Carroll, Thomas Stearns Eliot, Robert Frost, Ezra Pound, William Faulkner, Stephen Crane, Ambrose Bierce, John Keats, Herbert George Wells e Franz Kafka, apesar da afinidade intelectual demonstrada em suas obras.
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Immanuel Kant investigou Emanuel Swedenborg em Traume eines Geistersehers, obra também comentada por Bertrand Russell.
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George Bernard Shaw teria chegado a ideias semelhantes de forma independente ou sob estímulo de William Blake.
A influência de Emanuel Swedenborg nas correntes intelectuais, artísticas e espirituais é considerada muito superior ao reconhecimento habitual, conforme defendem estudiosos como Eugene Taylor, Wilson Van Dusen e James Lawrence, abrangendo tanto o Ocidente quanto o Oriente.
A presença reduzida de Emanuel Swedenborg na tradição hispânica decorre da resistência das autoridades católicas às influências seculares do Iluminismo e da dimensão protestante e anti-eclesiástica do pensamento sueco.
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Henry Chadwick observa a ausência de obras do místico na Biblioteca do Vaticano e na biblioteca da Inquisição.
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O Index Librorum Prohibitorum teria limitado o acesso do público educado em países católicos às obras publicadas em Londres e Amsterdã.
As qualidades inovadoras e a postura crítica em relação às instituições religiosas constituem os elementos que atraíram o interesse borgeano, diferenciando-se radicalmente do catolicismo argentino.
A investigação sobre a medida da influência de Emanuel Swedenborg na estética poética e ficcional revela uma dimensão ética inesperada, caracterizada por marcas visíveis do ethos celestial do visionário sueco.
A existência de uma lei moral intrínseca ao ser humano, percebida independentemente das consequências externas do ato, aproxima a sensibilidade borgeana da perspectiva de que o céu e o inferno são estados da alma que circundam o indivíduo já em vida.
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Amelia Barili registrou declarações sobre a natureza inquestionável da ética e o conhecimento interno sobre o agir bem ou mal.
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O instinto ético orientaria a escolha de caminhos apropriados ao estado moral de cada alma.
A preferência declarada pelas nações protestantes em detrimento das católicas fundamenta-se no rigoroso cuidado com a ética observado nessas sociedades, conforme exposto no prefácio de Elogio de la Sombra.
O ensaio La duración del infierno de 1929 constitui a primeira menção formal a Emanuel Swedenborg, estabelecendo que a eternidade do castigo é uma exigência da dignidade do livre-arbítrio em oposição às conveniências institucionais das igrejas.
O argumento herético de que o homem possui o direito atroz de se perder e rejeitar a graça divina atribui a responsabilidade pelo destino eterno à alma humana e não a um julgamento externo.
A condição de coexistência invisível com comunidades angelicais ou infernais durante a vida corporal define a transição imediata para esses mesmos agrupamentos no momento da morte.
O amor constitui o princípio orientador que projeta cotidianamente os céus e infernos ao redor do homem, tornando a salvação ou a perdição uma obra constante de esculpir a própria eternidade.
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A doutrina é apresentada em Testigo de lo invisible como mais moral e razoável do que a salvação fortuita obtida no último instante da agonia.
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O equilíbrio entre as esferas do bem e do mal é requerido para o exercício do livre-arbítrio, que deve escolher incessantemente entre o que emana de cada âmbito.
As representações estéticas do inferno em George Bernard Shaw e Emanuel Swedenborg são valorizadas por defenderem o destino humano contra o arbítrio da vontade divina ou as recompensas cegas da fé.
A percepção de que a morte ocorre em cada instante de repetição mecânica ou falta de descoberta define a vida real como um estado de curiosidade perene e recepção de experiências transformadas em fábulas e poemas.
O juízo final não é compreendido como um evento terminal no tempo, mas como um processo contínuo onde cada ação revela instantaneamente se o indivíduo está agindo de forma correta ou errônea.
O céu e o inferno não são lugares espaciais, mas condições da alma determinadas pela vida anterior, cujas portas permanecem abertas sem que o paraíso seja vedado ou o castigo imposto a ninguém.
A admiração pela Divina Comédia coexiste com a rejeição sistêmica da base teológica de prêmios e punições, em favor de uma visão onde o inferno tem início na existência presente.
A dimensão ética na obra de Emanuel Swedenborg manifesta-se no contraste entre o amor divino e o vício demoníaco, incentivando o autoexame para a identificação do amor predominante.
O tratado De Coelo et ejus Mirabilibus et de Inferno é considerado a obra de maior impacto e beleza, oferecendo um relato lúcido e articulado que confere normalidade à realidade do outro mundo.
A descrição das hierarquias angelicais e da paisagem do outro mundo encontra uma síntese concisa no texto Los ángeles de Swedenborg inserido no Libro de los seres imaginarios.
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Margarita Guerrero colaborou na redação da obra, enquanto Silvina Ocampo e Adolfo Bioy Casares participaram da Antología de la literatura fantástica.
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Anthony Kerrigan traduziu este último volume como Extraordinary Tales, que posteriormente recebeu prefácio de Ursula K. Le Guin.
O extrato de Arcana Coelestia intitulado Un teólogo en la morte funciona como um modelo para as representações ficcionais de realidades sobrenaturais e para a análise da tensão entre fé e heterodoxia.
A precariedade do domínio do latim sugere que a tradução das passagens de Emanuel Swedenborg foi realizada a partir de versões em inglês ou espanhol e não diretamente do original.
O uso de relatos atribuídos a anjos estabelece camadas de ficcionalidade que convidam o leitor ao espaço textual, mesclando ficção e lenda histórica em uma justaposição narrativa.
O destino do reformador Philipp Melanchthon ilustra a obstinação dogmática de quem, mesmo após a morte, insiste no valor da fé isolada em detrimento da caridade, terminando por distanciar-se do amor divino.
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Martinho Lutero é mencionado como colaborador de Philipp Melanchthon, que acaba em consórcio com demônios e mágicos devido ao seu orgulho.
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Hermann Hesse e James Joyce são citados em nota sobre a profundidade da leitura de Arcana Coelestia, sugerindo que a exegese bíblica extensiva era frequentemente ignorada em favor de passagens sobre anjos e demônios.
A constatação de que a fé desprovida de amor e caridade não possui utilidade no mundo espiritual ressoa o posicionamento de São Paulo e expõe a impossibilidade de hipocrisia no céu.
O conto Diálogo de muertos apresenta os personagens Juan Manuel de Rosas e Juan Facundo Quiroga em um estado de desorientação inicial sobre a própria morte, exigindo uma adaptação às novas circunstâncias espirituais.
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A narrativa situa-se no retorno de Juan Manuel de Rosas à Argentina em 1877, figurando como um arena pós-morte para a reconciliação com as vidas anteriores.
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Edwin Williamson trata da ascendência borgeana vinculada a essas figuras históricas retratadas em poemas de juventude.
Uma atmosfera de escualidez e decomposição permeia o relato da morte dos caudilhos argentinos, evocando as paisagens infernais pantanosas e ruinosas descritas por Emanuel Swedenborg.
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Juan Manuel de Rosas manifesta o orgulho característico de Philipp Melanchthon, enquanto Juan Facundo Quiroga demonstra capacidade de aprendizado no reino dos mortos.
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Juan Rulfo e o romance Pedro Páramo são citados como paralelos literários para a revelação gradual da condição de falecido dos personagens.
O inferno é caracterizado como um mundo de baixa política e conspiração constante, onde os réprobos se sentem felizes em seu ódio mútuo e na ausência de um monarca absoluto.
As regiões infernais abrigam espíritos em cabanas rudimentares ou ruínas urbanas marcadas por brigas constantes, hostilidade e atos de violência praticados por ladrões.
Os recém-mortos projetam uma imagem ilusória de seu âmbito habitual e das pessoas conhecidas por um tempo indefinido, até que a realidade do estado espiritual se imponha.
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Os móveis do quarto de Philipp Melanchthon começam a desaparecer conforme ele persiste na autoridade terrena, enquanto figuras sem rosto gravitam ao redor de Juan Manuel de Rosas.
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Almas cheias de amor divino são atraídas para as regiões angelicais, enquanto almas odiosas gravitam para os reinos demoníacos.
A incapacidade de habitar o calor celestial por parte daqueles entregues ao amor carnal e à crueldade conduz naturalmente à afinidade com as regiões infernais, onde a felicidade reside no exercício do poder e no ódio recíproco.
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A política é definida no sentido sul-americano como a vida dedicada a conspirar, mentir e se impor aos outros.
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Juan Manuel de Rosas é retratado como uma alma desafiadoramente relutante em abandonar o poder político mundano.
O encontro entre Juan Facundo Quiroga e Juan Manuel de Rosas assemelha-se ao dos irmãos Caim e Abel na narrativa Leyenda, onde o esquecimento permite o perdão, embora o caudilho resista em abandonar sua identidade terrena.
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Ralph Waldo Emerson descreve o tormento dos fantasmas que não conseguem lembrar que morreram, situação em que se encontra Juan Manuel de Rosas.
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Juan Facundo Quiroga reconhece sua condição de fantasma imortal preparado para avançar nas regiões dos mortos.
A manutenção do ódio por parte dos vivos impede a dissolução infinita de figuras históricas, mantendo-as presas a uma existência sombria pela força da memória coletiva e da caridade invertida.
O posicionamento swedenborgiano sobre as escolhas conscientes das almas estabelece que o inferno habitado pelas figuras históricas não é um castigo externo, mas a continuidade das batalhas que definiram suas vidas.
O espaço poético e ficcional é compreendido como uma ordem epistemológica semelhante à Imaginação de William Blake ou ao mundus imaginalis de Henry Corbin, transcendendo a mera fantasia literária.
A defesa de Emanuel Swedenborg contra as acusações de loucura fundamenta-se na ideia de que suas visões não são delírios, mas percepções perceptíveis de uma realidade angélica equivalente ao mundo físico.
O céu e o inferno correspondem a espaços liminares situados entre a realidade material e a ficção pura, assemelhando-se ao mundo dos sonhos de Carl Jung e à imaginação de Samuel Taylor Coleridge.
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Cristóvão Colombo, J. R. R. Tolkien e Érico o Vermelho são mencionados em comparações sobre a natureza das descobertas e a criação de mundos como Mordor ou o Condado.
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Kathleen Raine afirma que as paisagens da alma na arte e na poesia são linguagens para discursar sobre realidades do mundo inteligível e metafísico.
Emanuel Swedenborg não criava ficções como um romancista, mas vivenciava experiências de deslocamento pelo espírito que mantinham a lucidez e a visão clara de palácios e rios.
O desafio imposto à mente reside na interação constante da imaginação com as coisas percebidas pelos sentidos, recusando o enclausuramento do espiritual no domínio exclusivo da arte ou da poesia.
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Czeslaw Milosz analisa o respeito de William Blake pela imaginação de Dante Alighieri e Emanuel Swedenborg, apesar do latim pedestre deste último.
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Karl Jaspers é citado quanto ao direito do poeta de inventar, distinguindo tal ato da escrita de ficção consciente.
As jornadas espirituais de Emanuel Swedenborg originaram-se em sonhos, visões e transe despertado pelo controle da respiração e meditação, estabelecendo uma relação direta com o numinoso.
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Robert Moss classifica essas experiências como formas estáticas e potentes de sonho.
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Carl Jung e a Função Transcendental, posteriormente renomeada como Imaginação Ativa no Livro Vermelho, são associados a esse processo de busca visionária.
Os relatos de experiências fora do corpo e de quase-morte em Emanuel Swedenborg encontram eco em pesquisas contemporâneas que descrevem a visão através dos olhos do espírito em detrimento dos olhos corporais.
O diálogo entre Juan Facundo Quiroga e Juan Manuel de Rosas culmina na percepção de que o âmbito em que se encontram assemelha-se a um sonho sonhado por outrem, indicando a transitoriedade de todas as coisas.
O chamado de Alguém interrompe a conversa dos caudilhos, sugerindo uma intervenção externa que encerra o diálogo no ano de 1877.
A provocação de uma relação labiríntica entre ficção e realidade, vivos e mortos, desafia as certezas ontológicas essenciais e questiona a natureza do real no clima latino-americano.
A presença das obras visionárias de Emanuel Swedenborg constitui um elemento poderoso dentro da produção borgeana, fornecendo elementos para contos que exploram a condição pós-morte.
As peças breves das obras tardias, como as contidas em Elogio de la sombra, costumam receber menor atenção crítica apesar de confrontarem a natureza da morte de forma profunda.
Os provérbios sintetizam a posição ética borgeana influenciada por Emanuel Swedenborg, revelando-se iconoclastas, humildes e dotados de sabedoria prática.
Jorge Luis Borges exercia uma forma de aconselhamento espiritual e ético através de suas máximas, embora evitasse o rótulo de mestre ou professor espiritual.
A advertência de que os pobres de espírito permanecerão na sepultura o que foram na terra enfatiza a necessidade do engajamento pleno com o mundo como condição para a felicidade celestial.
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Emanuel Swedenborg relata o destino melancólico de eremitas que renunciaram ao mundo em busca de piedade, mas acabaram por perturbar a felicidade dos anjos.
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Aqueles que se isolam dos deveres da caridade terminam em lugares desertos liderando vidas semelhantes às que tiveram no mundo material.
A felicidade dos misericordiosos reside no próprio exercício da misericórdia e não na expectativa de um prêmio futuro, diferenciando o ato generoso da busca por autoengrandecimento.
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Norman Thomas di Giovanni é o tradutor responsável pela versão bilíngue de In Praise of Darkness utilizada nas análises.
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Os anjos recusariam qualquer agradecimento pelo bem realizado, pois o verdadeiro bem provém do Divino e não do indivíduo egoico.
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Os puros de coração são descritos como aqueles que já são capazes de ver a Deus em seu estado presente.
O ato de amar o inimigo é descrito como uma tarefa angélica que transcende as capacidades humanas ordinárias, comumente focadas em obras de mera justiça.
A acumulação de ouro é denunciada como geradora de ócio, tristeza e tédio, embora a riqueza em si não constitua um obstáculo à entrada no céu conforme a teologia swedenborgiana.
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A felicidade do pobre sem amargura e do rico sem soberba é destacada como um estado ideal de desapego moral.
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Riquezas abundantes não impedem a salvação, desde que haja um reconhecimento interno da Divindade e a intenção de servir ao próximo.
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O amor ao eu e o amor ao mundo são apontados como os únicos obstáculos reais para trilhar o caminho celestial.
O amor conjugal é apresentado como a porção terrestre do amor divino, permitindo que os amantes permaneçam unidos no mundo espiritual dentro de um estado de felicidade perene e alegria celestial.
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Emanuel Swedenborg dedica extensas descrições ao avanço dos anjos em direção a uma primavera eterna e ao gozo pleno de tudo o que é bem-aventurado.
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A felicidade é vista como um bem em si mesmo que não requer causa externa, sendo a ausência dela considerada um pecado grave no poema El remordimiento.
A narrativa His end and his beginning relata as atividades de um homem recém-falecido que inicia um processo de aprendizado sobre a natureza da morte em um ambiente reminiscente dos tratados suecos.
A relação entre o sono e o desencarne é fundamental para a compreensão da dimensão swedenborgiana, onde os espíritos despertariam e dormiriam no plano espiritual.
O destino celestial de um indivíduo pode ser dificultado pela sua própria incapacidade cognitiva de compreender o novo estado de existência, levando-o a tentar manter a rotina anterior.
A consciência da própria morte ocorre através da súbita realização de que não era possível recordar as formas, os sons e as cores dos sonhos, revelando que a realidade atual do indivíduo tornou-se, ela mesma, um sonho.
Emanuel Swedenborg relata que o acesso à terra dos mortos ocorre através de visões e sonhos de grande profundidade, possibilitados pela inatividade do corpo material e da respiração.
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Arthur Conan Doyle observa que a morte é facilitada por seres celestiais que garantem um período de repouso absoluto ao recém-chegado.
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William Shakespeare e Pedro Calderón de la Barca são associados à metáfora da vida como irrealidade onírica, onde o despertar para o céu ou o inferno constitui a verdadeira realidade.
O ingresso no céu exige o abandono doloroso de tudo o que constituía a identidade terrena, sob o risco de a alma ser abandonada pelos anjos psicopompos ao seu próprio destino demoníaco caso resista à mudança.
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Juan Manuel de Rosas e Philipp Melanchthon exemplificam a recusa em abandonar o poder e a autoridade, resultando na exclusão do paraíso.
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A identidade angélica é descrita como universal e não particular, refletindo preocupações borgeanas sobre o status do eu e o budismo.
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O protagonista anônimo atinge a graça divina ao desvincular-se do passado e do futuro, percebendo que sempre estivera no céu desde o momento do desencarne.
A presença de Emanuel Swedenborg informa as narrativas sobre a vida após a morte em toda a obra borgeana, fornecendo a substância essencial para contos de diversas décadas e para o sistema ético do autor.
A academia de estudantes celestiais em Las ruinas circulares assemelha-se às comunidades de espíritos descritas no tratado De Coelo et ejus Mirabilibus et de Inferno, sugerindo níveis concêntricos de almas ansiosas por encarnação.
O encontro com a alma falecida de Haydée Lange no volume Atlas ocorre através de uma visão onírica onde o narrador decide não atuar como psicopompo, deixando a função de guia para entidades angélicas.
O texto intitulado Abramowicz, pertencente ao último volume Los Conjurados, carrega as marcas das visões swedenborgianas sobre o além e constitui um estado de revelação genuína sobre os mistérios da morte.
A experiência de revelação sobre a persistência da alma, ocorrida através da música grega, confirma por via empírica as doutrinas estudadas durante décadas nos livros de Emanuel Swedenborg.
A multidão de sombras que acompanhava Maurice Abramowicz evoca as comunidades de espíritos descritas na obra swedenborgiana, sugerindo que ninguém morre verdadeiramente enquanto sua sombra for projetada.
A exploração do espaço imaginal definido por Henry Corbin revela uma terceira via onde a imaginação e a realidade material encontram-se em uma curiosa inter-relação, superando a mera fantasia.
A percepção de que a alma é persistente e o aspecto jubiloso das comunidades angélicas tornaram as palavras de Emanuel Swedenborg repentina e raptuosamente verdadeiras no final da vida de Jorge Luis Borges.