====== EDGAR ALLAN POE – EUREKA ====== //[[http://litteratura.free.fr/spip/article.php?id_article=38|Original traduzido por Baudelaire]]// ==== Resumo ==== * Certos indivíduos providos de uma força interior intensa percebem verdades transcendentais de difícil compreensão, conforme se observa nas mensagens fulgurantes presentes na obra Eureka, de Edgar Poë. * A percepção de verdades metafísicas por sujeitos movidos por impulsos profundos. * A escolha da obra de Edgar Poë como exemplo dessas percepções extraordinárias. * A matéria, ao retornar à unidade absoluta e excluir o éter, deixa de possuir atração ou repulsão, mergulhando no não-ser e no nada material que constitui a sua origem a partir da volição de Deus. * A dissolução da matéria na unidade absoluta como retorno ao estado primordial. * A identidade entre a unidade e o nada para toda percepção finita. * A criação da matéria a partir do nada por meio da vontade divina. * O desaparecimento instantâneo do último globo formado pela aglomeração de todos os outros corpos celestes resulta na permanência exclusiva de Deus como resíduo supremo e total de todas as coisas. * A extinção súbita da massa universal aglomerada. * A permanência exclusiva da divindade após a dissolução fenomênica. * A lei da periodicidade regula a sucessão de criações e dissoluções universais, em que novos universos emergem e retornam ao não-ser como manifestações rítmicas da vontade divina. * A possibilidade de novas criações e irradiações após a dissolução universal. * A submissão da imaginação à lei suprema da periodicidade. * A explosão e o abismo do universo como sístole e diástole do coração da divindade. * O núcleo central da divindade, definido como o coração divino, identifica-se ontologicamente com o próprio coração humano. * A identidade essencial entre o divino e a interioridade humana. * O exercício frio da consciência e a tranquilidade no autoexame conduzem à contemplação da verdade mais sublime, superando o temor inicial provocado pela aparente irreverência da identificação entre o humano e o divino. * A necessidade do rigor analítico para o acesso à verdade. * O enfrentamento direto da realidade metafísica por meio da análise de si. * As conclusões sobre a natureza da existência derivam de fenômenos caracterizados como sombras puramente espirituais, as quais possuem natureza inteiramente substancial. * A natureza substancial das impressões de ordem espiritual. * A dependência das conclusões metafísicas em relação a essas percepções. * A trajetória da existência terrena é permeada por reminiscências obscurecidas de um destino mais amplo e imponente radicado no passado remoto. * A presença de memórias de uma existência transcendental na vida mundana. * O caráter imponente do destino pretérito que envolve o ser. * A fase da juventude é marcada por sonhos que são reconhecidos não como meras fantasias, mas como memórias autênticas de uma condição anterior. * A clareza da distinção entre sonho e recordação durante a mocidade. * A persistência dessas lembranças como fatos da consciência jovem. * A percepção da existência pessoal e eterna manifesta-se como a condição normal e incontestável durante a juventude, fase em que a possibilidade da própria inexistência permanece incompreensível até o advento da virilidade. * A plenitude do sentimento de existência individual na juventude. * A incapacidade juvenil de conceber o não-ser ou a origem temporal do próprio ser. * A transição da percepção de normalidade da existência para a virilidade. * A razão convencional introduz o erro e a dúvida ao postular a criação por uma inteligência externa e superior, uma ideia que permanece incompreensível por não corresponder à verdade. * O despertar para o erro provocado pela racionalidade mundana. * A impossibilidade de compreender a subordinação a uma inteligência externa. * O sentimento de igualdade entre as almas e o desejo de perfeição são impulsos espirituais para o retorno à unidade primitiva, na qual cada alma é seu próprio criador e Deus reside atualmente na difusão da matéria e do espírito. * O desconforto insuportável diante da ideia de hierarquia entre as almas. * A identificação de cada alma como seu próprio deus e criador parcial. * A constituição do Deus individual apenas pela futura concentração da matéria e do espírito universais. * A compreensão da injustiça divina e do mal torna-se possível ao se reconhecer a dor como uma imposição da própria alma para atingir seus próprios desígnios e ampliar o círculo da alegria. * A inteligibilidade do destino inexorável sob a ótica da autonomia da alma. * A cessação da revolta diante de um sofrimento imposto a si mesmo. * As reminiscências que persistem na maturidade articulam-se como vozes que narram a existência de um ser eterno composto por uma infinidade de seres semelhantes que povoam o espaço infinito. * A persistência das memórias na virilidade com formas cada vez mais definidas. * A comunicação interna sobre a origem temporal e a natureza do ser eterno. * A divindade alterna eternamente entre a concentração do eu e a difusão infinita no universo, de modo que as criaturas são individualizações de Deus que devem eventualmente reconhecer em sua própria existência a presença de Jeová. * A natureza do universo como expansão presente da existência divina. * A experiência divina por meio dos prazeres e dores parciais das criaturas. * O fortalecimento da consciência da identidade divina em detrimento da identidade individual. * O reconhecimento final da própria existência como a existência de Jeová no espírito de Deus.