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FIGURA DE ARTUR
WILLIAMS, CHARLES. DELPHI COMPLETE WORKS OF CHARLES WILLIAMS ILLUSTRATED. S.l.: DELPHI PUBLISHING LTD, 2023.
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O início verificável do mito arturiano aparece, em sua primeira ocorrência, sem menção a Artur e sem a nomeação de qualquer herói.
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O ponto de partida é localizado em um tratado composto por um monge de meados do século VI, Gildas, intitulado De Excidio Britanniae.
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O texto de Gildas é caracterizado como composto majoritariamente por exortações dirigidas aos bretões e por denúncias contra seus reis, precedidas por um resumo histórico da Bretanha desde a chegada dos romanos.
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A narrativa inicial descreve a retirada romana, as invasões saxãs e as guerras entre saxões e bretões.
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O quadro apresentado é o de derrotas quase contínuas dos bretões, com mortes, escravização e fuga para montanhas ou para o exílio além-mar.
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A reversão parcial do destino bretão em Gildas é atribuída ao surgimento de um líder chamado Ambrosius Aurelianus, e não a Artur.
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Ambrosius é descrito como descendente de uma família nobre romana, sem notoriedade anterior até a irrupção da crise.
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Ele obtém algum sucesso contra os saxões e estabelece uma igualdade instável no campo de batalha.
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A alternância de vitórias entre bretões e inimigos é explicitada como condição prolongada do conflito.
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Essa situação se estende até o episódio denominado obsessio Badonici montis, o cerco do Monte Badon.
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O cerco é apresentado como quase a última destruição dos inimigos cruéis, sem deixar de ser um momento de grande relevância.
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O próprio nascimento de Gildas é situado nesse período, associado a uma referência temporal de quarenta e quatro anos e um mês, cuja interpretação cronológica é objeto de divisão entre especialistas.
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A sequência pós-vitória do Monte Badon, conforme Gildas, descreve uma fase de ordem social seguida de degradação moral em uma geração posterior.
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Os que conheceram a invasão e a vitória vivem por algum tempo de modo ordenado em suas vocações, abrangendo reis, magistrados, sacerdotes, outros clérigos e o povo em geral.
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No momento da escrita, porém, uma geração mais jovem, cerca de vinte ou trinta anos abaixo de Gildas, teria crescido sem experiência do perigo e da libertação.
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Essa geração é caracterizada pela piora do comportamento e pelo colapso das leis e da virtude.
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A obra prossegue então como expansão dessa crítica, enumerando detalhes particularmente graves.
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O resultado é um retrato em que os problemas do tempo de Gildas derivam menos dos saxões e mais de guerras civis entre os próprios bretões.
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O quadro global fornecido por Gildas permite reconstruir um esquema histórico de resistência, sem introduzir Artur em qualquer ponto.
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A dominação saxã é interrompida quando um líder de ascendência romana reúne a resistência.
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A estabilidade militar alcançada prepara o caminho para o cerco do Monte Badon, após o qual os saxões não conseguem retomar a vantagem.
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Os descendentes de Ambrosius, ainda que considerados degenerados por Gildas, permanecem capazes de enfrentar pagãos vindos do mar.
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Apesar disso, a narrativa não contém qualquer referência ao nome de Artur, e essa ausência é fixada como fato decisivo para a história do mito.
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O nome Artur surge pela primeira vez apenas quatro séculos depois, e ainda assim não como nome de rei.
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No século IX, um monge chamado Nennius escreve uma história semelhante, porém mais detalhada.
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Nennius relata a convocação dos saxões sob Hengist e Horsa pelo bretão Vortigern, o casamento de Vortigern com Rowena e a chegada reforçada dos saxões.
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O conflito é narrado como culminando na derrota dos bretões e em uma tentativa de reação sob um líder chamado Vortimer.
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Ambrosius reaparece, agora descrito como rei entre todos os reis dos bretões.
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O prolongamento desesperado da guerra prepara a entrada de um novo herói, Artur, definido como líder das batalhas ao lado dos reis dos bretões.
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A caracterização de Artur em Nennius é estruturada como um ciclo de doze batalhas com topônimos, culminando no Monte Badon.
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A primeira batalha é situada às margens de um rio chamado Gelin.
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As quatro seguintes ocorrem nas margens de outro rio chamado Dubylas, na região Linnius.
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A sexta ocorre em um rio chamado Bossa.
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A sétima ocorre no bosque de Celidon, referido também por uma designação equivalente.
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A oitava ocorre junto ao Castelo Guinnion e inclui o motivo de Artur carregar nos ombros uma imagem de Maria, com a fuga dos pagãos atribuída à força de Cristo e de Maria.
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A nona batalha ocorre na Cidade da Legião.
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A décima ocorre na margem do rio Tribiut.
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A décima primeira ocorre em uma colina chamada Agned.
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A décima segunda ocorre no Monte Badon, com atribuição a Artur de uma matança excepcional em um único ataque, combinada com a afirmação de invencibilidade contínua.
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Um manuscrito adicional acrescenta um episódio anterior a Badon, no qual Artur peregrina a Jerusalém, manda fazer uma cruz do tamanho da cruz vivificante, jejua, vigia e ora por três dias para obter vitória, e leva consigo uma imagem de Maria.
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Nennius incorpora, além das batalhas, uma série de prodígios locais associados a Artur, situados no sul do País de Gales.
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Um prodígio é descrito na região de Buelt como um monte de pedras com uma pedra no topo marcada pela pegada de um cão.
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O cão, Cabal, é identificado como pertencente a Artur, descrito como soldado.
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O prodígio consiste em que a pedra, removida por um dia e uma noite, retorna ao monte na manhã seguinte.
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Outro prodígio é situado no distrito de Ercing, com um túmulo junto a uma fonte, atribuído a Anir, dito filho do soldado Artur, morto por Artur e ali sepultado.
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A instabilidade da medida do túmulo, variando de seis a quinze pés, é apresentada como fenômeno observável.
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A afirmação de verificação pessoal desse prodígio é marcada como elemento singular, pois contrasta com a cautela habitual do autor em remeter ao que se diz ou ao que se chama.
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Um documento posterior, os Annales Cambriae, acrescenta duas entradas que reforçam a associação de Artur a Badon e introduzem a morte de Artur.
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A entrada de 518 registra a batalha de Badon, na qual Artur carrega a cruz de Cristo por três dias e três noites sobre os ombros e os bretões vencem.
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A entrada de 549 registra a batalha de Camlaun, na qual Artur e Medraut são mortos, acompanhada de morte também na Inglaterra e na Irlanda.
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A relação entre cruz, duração ritual e vitória retoma e intensifica motivos já presentes em variantes do relato de Nennius.
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A ausência de Artur em Gildas é posteriormente explicada por uma narrativa de inimizade familiar, que busca preencher o silêncio documental em favor do mito.
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No século XII, atribui-se a omissão a um ódio pessoal ou familiar, alegando-se que o irmão de Gildas teria sido morto por Artur em uma disputa.
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Acrescenta-se que Gildas teria lançado ao mar livros em que teria escrito sobre os feitos de Artur e de seus compatriotas.
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O objetivo dessa tradição é explicar simultaneamente a ausência de história autêntica e justificar a necessidade de alusões tardias.
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Permanece, contudo, como dado incontornável que Gildas não menciona Artur, e as razões possíveis ficam abertas entre ignorância, animosidade ou inexistência histórica do personagem.
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A historiografia moderna é apresentada como inclinada a admitir uma realidade histórica de Artur, mediante hipótese interpretativa baseada em coerência militar.
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R. G. Collingwood propõe compreender a evidência das batalhas ao imaginar Artur como comandante de um exército móvel de campanha.
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A hipótese se ancora na tendência do comando romano tardio a privilegiar cada vez mais a cavalaria nas guerras europeias.
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Um argumento institucional é acrescentado ao mencionar que o conde da Bretanha teria comandado mais regimentos de cavalaria do que de infantaria, sugerindo que a restauração dessa função implicaria perfil de general de cavalaria.
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Mesmo sem intenção deliberada, a experiência militar do período tornaria evidente a vantagem de uma força montada, ausente entre milícias locais, tribos das terras altas e invasores saxões.
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A vantagem tática atribuída a Artur é descrita como combinação de cavalaria blindada, iniciativa de recrutamento e capacidade de persuadir reis bretões de seu valor.
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Os saxões são caracterizados como sem cavalaria, sem armadura corporal e com pouca coesão tática.
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A possibilidade histórica recai sobre a formação, por iniciativa própria, de um grupo de cavaleiros com cota de malha e armamento obtido por trabalho padrão de ferreiros do período.
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A lista de batalhas em Nennius é lida como indício de mobilidade geográfica ampla, compatível com uma força capaz de deslocar-se por todo o país e atingir pontos diversos.
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A descrição da batalha final em Badon é interpretada como possível confinamento desse contingente a um forte em colina, recondicionado para defesa contra invasores.
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A linguagem de ataque único e de vitória atribuída exclusivamente a Artur é tomada como sugestiva de operação autônoma com força própria, e não apenas apoio a reis locais.
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A localização de Badon é apresentada como irresoluta, com múltiplas hipóteses toponímicas concorrentes.
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Propõe-se uma linha de obras de terra bretãs entre o Canal de Bristol e as colinas próximas de Newbury como possível zona de identificação.
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Diversas identificações são enumeradas, incluindo Bath e uma série de localidades com nomes similares.
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A incerteza é afirmada como dominante e, apesar disso, sugere-se Liddington Hill como palpite tão aceitável quanto outros, por sua posição ameaçadora a um avanço saxão para o oeste.
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A recomposição conjectural dos eventos propõe uma sequência histórica plausível que articula Ambrosius, Artur, Badon e a posterior perda bretã.
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Após quase completa vitória saxã, ocorre a contenção por um chefe de ascendência romano-bretã, local e notável entre líderes bretões.
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O conflito permanece equilibrado por algum tempo, até a ascensão de um agente capaz de perceber e explorar vantagens militares.
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Esse agente, chamado Artur, possivelmente também de ascendência romana, levanta uma força montada e presta auxílio a reis conforme as necessidades estratégicas.
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Os saxões avançam em força para o oeste e o comandante geral ocupa uma colina fortificada que ameaça esse avanço.
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O inimigo tenta sitiar a posição e é derrotado decisivamente por uma carga final de cavalaria liderada pelo próprio Artur.
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O resultado é um recuo saxão para sua parte do território e um período de paz relativa de trinta a quarenta anos sob o prestígio do comandante.
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Durante parte desse período, as organizações estatais operam com liberdade e eficácia, mas depois surgem disputas internas e guerras civis.
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Artur é morto em um desses conflitos internos, a cavalaria desaparece ou perde liderança adequada, e os saxões retomam ataques.
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A divisão bretã impede defesa suficiente, levando à ocupação quase total do país, exceto o extremo oeste.
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Apesar da derrota, permanece a memória e o nome de Artur como fábula do passado e profecia do futuro.
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A permanência do nome de Artur e sua entrada em uma grande literatura não são tratadas como destino necessário, mas como contingência histórica decidida no século XII.
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Reconhece-se que o nome poderia ter desaparecido sob saxões e normandos.
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Até então, Artur é descrito como figura cinzenta, espectral, aderida a marcos antigos, mais como presença difusa do que como personagem plenamente reimaginado.
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A persistência do nome é apresentada como exceção entre muitos nomes antigos que não foram poeticamente reconfigurados.
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A elevação de Artur à condição régia é localizada, conforme os registros mencionados, por volta de 1075 em um texto hagiográfico com prólogo histórico.
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Em uma Legenda Sancti Goeznovii, ou em seu preâmbulo histórico, a soberba dos saxões é dita esmagada por um grande Artur rei dos bretões.
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Artur é descrito como vencendo também na Gália, além da Bretanha, como precursor do conquistador normando.
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Uma formulação sugere que Artur é chamado para longe das atividades humanas, sem afirmar de modo absoluto sua morte.
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Essa formulação se articula com a crença popular em seu retorno, atribuída a relatos mantidos entre pobres que repetiam o nome.
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Um episódio narrativo do século XII, relacionado a uma coleta de fundos e a relíquias marianas, evidencia a força social da crença no retorno de Artur e a tensão com estrangeiros.
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Cônegos de Laon viajam à Inglaterra para angariar recursos para reconstrução da catedral, levando relíquias de Nossa Senhora de Laon.
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Em Devonshire, tomam conhecimento das narrativas bretãs sobre o famoso rei Artur.
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Em Bodmin, um homem com braço ressequido busca cura por meio das relíquias e entra em disputa com um visitante estrangeiro.
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O homem sustenta que Artur ainda vive, e a discordância provoca mobilização armada de seus apoiadores dentro da igreja.
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A intervenção de um clérigo impede derramamento de sangue, revelando o potencial conflitivo do tema.
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O relato conclui com a não cura do homem, interpretada como desagrado de Nossa Senhora de Laon, e registra a ideia de que estrangeiros não deveriam zombar da tradição local.
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O episódio é interpretado como índice de difusão regional do tema arturiano e de sua capacidade de gerar rivalidade cultural.
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A crônica compara o tumulto ao tipo de conflito que bretões produzem com franceses por causa do rei Artur, sugerindo disputa transregional.
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O termo bretões é associado aos bretões continentais, o que implica circulação do mito em parte da Europa.
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A conclusão aponta que o relato e certos nomes já haviam se espalhado ainda mais amplamente, sugerindo expansão do campo de recepção do mito.
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