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Esperando Godot

David LESCOT

  • A peça En attendant Godot, de Samuel Beckett, estreou em janeiro de 1953 no teatro Babylone em Paris, em uma montagem de Roger Blin, marcando o início de sua influência duradoura sobre o teatro e a literatura contemporânea.
    • A direção foi de Roger Blin no teatro dirigido por Jean-Marie Serreau.
    • A peça, a segunda escrita por Beckett, foi a primeira a ser representada.
    • O termo “espera” tornou-se indissociável da imagem criada por Beckett.
  • Antes de sua estreia, a peça, publicada em 1952 pelas edições de Minuit, havia sido recusada por diversos diretores de teatro, gerando controvérsia tanto entre críticos e defensores quanto sobre o seu próprio significado.
    • O elenco original contou com Lucien Raimbourg, Pierre Latour, Roger Blin e Jean Martin.
    • A obra suscitou polêmica acerca de sua interpretação.
  • Nos anos seguintes, a peça alcançou grande sucesso na Europa e, vinte e cinco anos após sua criação, foi integrada ao repertório da Comédie-Française em uma nova montagem de Roger Blin.
  • A peça de Beckett estrutura-se não sobre uma ação dramática convencional, mas sim sobre a ausência desta, construindo uma dramaturgia imóvel baseada na repetição, na especulação infinita e nos impulsos interrompidos.
    • A ação consiste em dois clochards, Vladimir e Estragon, que esperam por Godot ao pé de uma árvore.
    • Eles passam o tempo conversando e realizando ações banais até a chegada de Pozzo e Lucky.
    • O primeiro ato termina com a informação, trazida por um menino, de que Godot não virá.
    • O segundo ato repete a estrutura do primeiro, com variações como a cegueira de Pozzo e o mutismo de Lucky.
    • A peça conclui com os personagens repetindo a intenção de ir embora, mas permanecendo imóveis.
  • Em vez de uma progressão linear, a peça adota uma estrutura binária e cíclica que anula as noções tradicionais de início e fim, fazendo com que o próprio tempo, vazio e sem referências, se torne o centro da representação.
    • As referências ao passado dos personagens são vagas e incertas.
    • A condição dos personagens em cena reflete o absurdo da condição do espectador.
    • Beckett utiliza uma teatralidade exagerada para evidenciar o artifício da representação.
    • Exemplos dessa teatralidade incluem jogos de perguntas e respostas, entradas clownescas e a paródia de um monólogo.
  • Embora a peça tenha sido interpretada à luz do contexto pós-guerra, como uma reflexão sobre um mundo sem transcendência, e contenha referências bíblicas e mitológicas, a própria dramaturgia de Beckett mina sistematicamente qualquer tentativa de interpretação unívoca.
    • A multiplicidade de interpretações possíveis acaba por anular a busca por um sentido definitivo.
    • Os personagens podem ser vistos sob um prisma dualista, com Vladimir voltado ao espiritual e Estragon ao físico.
    • No entanto, a estrutura da peça desestabiliza as bases hermenêuticas que ela mesma parece sugerir.
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