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A Filosofia no Tempo.

Pessoa: A FILOSOFIA DE PLATÃO

António Quadros (org.)

domingo 27 de julho de 2014

Excertos do livro organizado por António Quadros, "A procura da verdade oculta". A Filosofia no Tempo - sobre o pensamento grego; presumivelmente de 1906 e 1908, traduzido do original em inglês.

Dizemos que os atos (coisas) são justos e bons, e que a justiça e a verdade não existem?

Poderão os atos justos, as boas ações preceder a justiça, a bondade?

— Vejamos agora que ou estes atos são assim em si próprios, justos e bons; ou apenas são justos e bons relativamente, apenas enquanto como tal são apercebidos, quer dizer, ou é a humana mente ou a humana organização que os produz (pelo menos em colaboração com o objeto). Se os atos forem em si próprios justos e bons, visto que não são eles os únicos a possuírem bondade e justiça, como são eles bons e justos?

Se estes atos forem apenas relativamente justos e bons como são eles relativamente justos e relativamente bons? Porque temos em nós qualquer coisa para assim julgar as coisas. Agora, já que um ato é mais justo do que outro, já que uma coisa é mais extensa do que outra, se isto é o produto da nossa mente mais o objeto, qual a parte do objeto e qual a parte da mente?

Observemos agora que nos objetos deste modo percebidos há 2 elementos: justiça e quantidade de justiça, num caso; no outro, extensão, espaço e uma certa quantidade de espaço.

Qual destas partes é a do sujeito, qual tem origem no objeto? Notamos que uma é constante; a outra varia.


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