MeyrinkAJO
Resumo do Prefácio (Julius Evola) à tradução francesa
O Anjo na Janela do Ocidente é um dos últimos romances de Gustav Meyrink, entrelaçando temas já presentes em obras anteriores, como a reconstituição romanceada da vida de um personagem histórico e a identificação de um ser vivo com um personagem de outro século.
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O mesmo tema aparece em O Dominicano Branco, em parte na Noite de Valpurgis e em O Golem, do mesmo autor.
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As Histórias de fazedores de ouro também reconstituem romanescamente a vida de um alquimista real.
O personagem histórico escolhido por Meyrink é John Dee (1527-1608), sábio e adepto das disciplinas herméticas, astrológicas e mágicas da época elisabetana.
Alguns elementos do romance carecem de comprovação histórica, enquanto outros são fatos documentados.
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A antiguidade da nobreza dos Dee e sua árvore genealógica — que remontaria, segundo o romance, a Roderick o Grande e a Hoël Dhats — não está demonstrada.
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A prisão de John Dee por práticas mágicas contra a rainha Maria Stuart é fato histórico, mas sua libertação decorreu de decisão do Conselho da Coroa, não de intervenção da princesa Elisabeth.
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São confirmados os vínculos de Dee com Dudley, Laski e Edward Kelley.
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No romance, Kelley aparece como um charlatão com as orelhas cortadas que alegava ter encontrado a Pedra Filosofal; na realidade, seu nível espiritual parece ter sido mais elevado, e ele deixou pequenos tratados de alquimia de algum valor.
Outros fatos do romance são igualmente reais: a grande reputação de sábio que Dee conquistou na Inglaterra e em outros países europeus, suas numerosas viagens, o incêndio do castelo de Mortlake, o desentendimento com Kelley e a morte de Dee em Mortlake, em dezembro de 1608, na mais completa miséria.
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É confirmada a missão que Dee recebeu de examinar os direitos da Coroa inglesa sobre terras descobertas à época.
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A Cottonian Library conserva dois dossiês originais relacionados ao tema da “Groenlândia”, utilizado por
Meyrink de forma sugestiva.
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O British Museum possui uma bola de cristal do tamanho de uma laranja, sabidamente utilizada por Dee como espelho mágico.
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O romance não menciona que, ao retornar da Boêmia, Dee obteve em 1595 o cargo de reitor do Manchester College.
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Os vínculos de Dee com o imperador Rodolfo são menos conhecidos do que os mantidos com Maximiliano II, a quem dedicou em 1564 um interessante tratado hermético intitulado A Mônada Hieroglífica — traduzido do latim para o francês por Grillot de Givry (Paris, 1925).
A trama do romance não se apoia em quimeras reencarnacionistas, mas numa teoria mais séria: todo ser humano seria a manifestação de uma entidade — um deus ou um demônio — anterior e superior à sua vida terrena limitada.
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Em certas “linhagens” forma-se uma “causa”, ou seja, enxerta-se uma influência transcendente que, além do tempo e dos séculos, cria as condições de continuidade de um destino voltado à realização espiritual através de gerações.
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O sangue pode servir de suporte, e numa mesma linhagem surgem indivíduos que são, na realidade, um único e mesmo ser que retorna — como ondas que se lançam contra um obstáculo — até que o ciclo se fecha com o nascimento mágico de um ser “ressuscitado neste mundo como no outro”, um “Vivente” no sentido iniciático.
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Diversos aspectos dos cultos familiares das gentes, difundidos no mundo tradicional oriental e ocidental — incluindo a Hélade e Roma — não são alheios a essa concepção, que faz parte de um ensinamento esotérico do qual
Meyrink se inspirou em vários romances.
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No romance, o barão Müller, último descendente dos Dee of Gladhill, é o próprio John Dee que se recorda de si mesmo; e é ao barão Müller que será dado realizar o que tanto John Dee quanto John Roger — outra manifestação da mesma linhagem — não conseguiram.
Para indicar a realização em questão, Meyrink retoma a doutrina do andrógino espiritual, ligada no esoterismo ocidental ao misterioso símbolo templário do Baphomet e, sobretudo, ao símbolo hermético e alquímico do Rebis (res bina: natureza dupla).
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O equivalente extremo-oriental é a unidade ativa do Yang e do Yin, do masculino e do feminino numa única natureza; no tantrismo, é a conjunção de Shiva e Shakti.
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Hermetistas e Rosa-Cruzes falaram também do mysterium conjunctionis, das “Bodas Químicas”, da união do adepto com a “Dama dos Filósofos” na “terra além dos mares”, resultando na posse da dupla coroa e do duplo poder.
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O erro fatal de toda a primeira fase da vida de John Dee foi tomar esses símbolos em sentido literal.
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A “Rainha”, que Dee julgou poder possuir pela força de encantamento na pessoa de Elisabeth, é na realidade a “Mulher interior” ou transcendente — “nossa Eva oculta”, a “Diana nua”, a força-vida da qual o homem se separou desde a queda do estado primordial.
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O mysterium conjunctionis é também o mistério da reintegração iniciática, cujo efeito é a dignidade régia no sentido esotérico.
As “Bodas Químicas” possuem significação operativa e podem remeter a uma técnica especial de magia sexual conhecida por diferentes tradições.
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O impulso para superar a fratura existencial e experienciar a unidade absoluta do ser já age, de forma obscura, em toda união sexual — como ilustra, em Platão, o mito do andrógino como chave do sentido último de todo eros.
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Na vida erótica vulgar, esse impulso é neutralizado e desviado, tornando-se instrumento da geração animal ou de um prazer ilusório.
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Quem aspira ao Adeptado pela via do sexo deve ser capaz de conservar e “fixar” a força da virilidade, unindo-se com “nossa Eva oculta”.
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Isaïs, a Negra, personifica em
Meyrink a força telúrica que tende a contrariar a realização dessas “Bodas Químicas” e a capturar o elemento ativo masculino, fazendo-o sucumbir à “morte sugadora que vem da mulher” — expressão do próprio
Meyrink.
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Essa força telúrica se liga também ao sangue: Isaïs é a soberana oculta nascida no sangue.
Meyrink menciona entre as técnicas tradicionais o vajroli-tantra, mas seu conhecimento desta prática era deficiente e superficial.
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No tantrismo não se trata de “magia negra” nem de práticas “horríveis” ou “obscenas”, ao contrário do que julgam personagens como Lipotine e Gardener no romance.
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Quando o ser em que John Dee desperta acredita que a essência da operação consiste em incorporar em si a “mulher” para “redimi-la” — mudando sua polaridade — por meio de uma vontade fortalecida por certas disciplinas, isso corresponde plenamente ao ensinamento tântrico relativo à via mágica do sexo.
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No romance, porém, tudo se reduz a uma simples alusão, e a via da “vigília iniciática” é apenas esboçada.
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O autor declara que práticas desse gênero só poderiam ser realizadas integralmente por orientais — afirmação bastante duvidosa.
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No romance, o vajroli-tantra teria sido revelado ao protagonista justamente pelos emissários das forças adversas, para destruí-lo.
O “encanto das bolas vermelhas” parece ser uma experiência ligada à técnica de uma asfixia parcial: vapores ou fumaças tóxicas seriam inalados pelo neófito na presença de um mestre que o ajuda a vencer a crise e manter-se consciente durante a mudança de estado.
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Superar essa prova significaria assegurar a “virilidade transcendente” ou iniciática, simbolizada pela lança de Hoël Dhats.
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A prova do “Poço de São Patrício” — forma cristianizada de antigos ensinamentos iniciáticos degradados em folclore — pertence a essa mesma ordem de ideias.
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No fundo do “Poço de São Patrício” arde um fogo com duplo poder: destruir e purificar; quem desce verá em que medida é capaz de vencer a “segunda morte”.
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Esses temas reaparecem no ciclo do Graal, com a prova do “Poço de São Patrício” e o chamado “assento perigoso”, que se transforma em abismo para os não eleitos, e onde a lança frequentemente assume a mesma significação.
O uso do espelho mágico para “ver” ou “comandar” é mencionado no romance, mas exige que o operador tenha superado provas como as das fumaças tóxicas e seja capaz de “sair” — isto é, de se desligar ativamente da consciência das condições corporais.
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Sem essa preparação, o operador corre o risco de ser mero joguete de sua própria imaginação ou de cair numa mediunidade passiva.
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Não se devem nutrir ilusões quanto ao alcance de certos procedimentos mágicos, por mais simples que pareçam.
Bartlett Green é um dos principais personagens do romance, ligado a formas arcaicas da iniciação escocesa e ao culto de Isaïs — divindade feminina que se revelará ser a Ísis adorada na Antiguidade em certos meios da região do Ponto.
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Na primeira parte do livro, Bartlett Green é apresentado como alguém que chegou a possuir a “mulher interior” e a se tornar um “Príncipe da Pedra Negra”, tornando-se totalmente inacessível à dor e ao medo.
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Na segunda parte, é retratado apenas como emissário das forças demoníacas e agente da “contra-iniciação” — para usar o termo guénoniano —, que tenta seduzir John Dee por todos os meios.
Meyrink alude a uma iniciação pelo ódio — pouco conhecida — e a experiências baseadas no prazer erótico exacerbado por um ódio desmesurado entre indivíduos de sexo diferente.
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Permanece obscuro como o sacrifício do elemento masculino — indicado como essência da iniciação da Ísis pôntica ou Isaïs, a Negra — poderia resultar de tais experiências.
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Meyrink poderia ter dado base mais sólida a essa parte do romance reportando a antítese entre a verdadeira vocação de John Dee e as influências que tentam desviá-lo à oposição entre cultos “olímpicos” masculinos e cultos “telúricos” ou lunares ligados a deusas soberanas.
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Um traço típico destes últimos — bem visível nos mistérios de Cibele — são os êxtases turbulentos provocados por meios violentos, orgiásticos e frenéticos, equivalentes a uma espécie de castração espiritual: é isso que o autor atribui, mais ou menos, à iniciação de Isaïs.
A origem das iniciações masculinas é, segundo a Tradição, boreal — o que confere à “Groenlândia”, cujo sentido literal é “Terra Verde”, o caráter de terra mística e simbólica.
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A mesma observação vale para a Inglaterra, que como “Albion” e “Terra Branca” possuiu significação simbólica, com o jogo de palavras Engelland, que pode significar Inglaterra e simultaneamente “Terra dos Anjos”.
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Em um dos episódios do romance, a direção do setentrião aparece como a direção justa, que torna oblíquo e desprovido de sentido tudo o que se julgava ordenado.
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Esperava-se que
Meyrink desenvolvesse de forma mais precisa a antítese entre a iniciação “boreal” — para a qual John Dee, o “senhor da lança”, tende inconscientemente — e o mundo espiritual onde a deusa é soberana; mas isso não foi feito.
O papel de Jane-Jeanne no romance é longe de ser claro, assim como os traços de John Dee na “encarnação” do barão Müller não revelam precisamente os aspectos viris de um iniciado em sua ligação com Jane.
Na sua primeira existência, John Dee foi decepcionado de várias maneiras: primeiro, ao interpretar em sentido material o simbolismo hermético da “Rainha”, das “Bodas” e da conquista da “Groenlândia”.
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Reconhecendo esses erros, Dee se dedicou à alquimia hermética — aquela que não se esgota na transmutação metálica, mas procede pela “via de Elias”: o caminho do profeta que não deixou seu corpo na terra e que nunca teria morrido, a via mágica da alquimização do corpo e da alma.
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Também nesse domínio, John Dee se deixa enganar, ignorando o aviso de Gardener: quem busca compor a “Pedra da imortalidade” por meios físicos, sem ter passado antes pelo processo oculto do renascimento espiritual, nunca estará a salvo das ciladas das forças sombrias.
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Dee imagina poder descobrir o segredo da “via de Elias” graças às revelações de um Anjo evocado em sessões meio mágicas e meio mediúnicas organizadas por Kelley.
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Esse Anjo é o Anjo à janela do Ocidente, que se revelará no final ser uma criatura de mentira e enganará miseravelmente John Dee.
O romance comporta um ensinamento real ao denunciar o erro tanto da mediunidade quanto de certo gênero de magia cerimonial.
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Meyrink afirma que Kelley — o médium responsável pelos erros de John Dee — tornou-se em nossa época um verdadeiro cancro de mil rostos, em alusão às práticas espíritas.
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Quanto à magia cerimonial, o ensinamento superior revelado por Gardener afirma que entidades como o Anjo Verde são apenas formas ilusórias nas quais se cristalizam os desejos, os conhecimentos e os poderes que o homem encerra em si sem o saber — razão pela qual, seguindo vias indiretas, acredita obter revelações maravilhosas.
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Somente após muitas desilusões John Dee reconhecerá que o verdadeiro apoio, o ser que jamais o abandona, é o Eu — o princípio transcendente, central e luminoso da personalidade: premissa do verdadeiro caminho iniciático, chamado frequentemente “a via direta”.
O simbolismo do Ocidente e da “Terra Verde” possui significação mais ampla do que a evidenciada no romance.
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Se o Oriente é concebido como a terra de onde vem a luz, o Ocidente aparece como a região do poente e, por analogia, como a da morte e das forças da morte.
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Os antigos conheciam, porém, outros vínculos de analogia: onde morre a luz física, nasce a luz espiritual — daí a existência de um “Ocidente sagrado” com valor positivo de terra de imortalidade ou “Terra dos Viventes”.
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A “Terra Verde” da antiga tradição egípcia, a misteriosa região ocidental de Amitaba das tradições extremo-orientais e o jardim das Hespérides dos gregos antigos partilhavam desse mesmo sentido.
No final do romance, onde Meyrink utiliza certos símbolos dos Rosa-Cruzes — como os da rosa e da arte da jardinagem —, ele fala também de um centro supremo do mundo (Elsbethstein, ideia análoga à do Agarttha da tradição indo-tibetana), sede de uma Ordem que controla invisivelmente os destinos dos homens.
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Os membros dessa Ordem são apresentados como seres “liberados”, que permaneceram na terra para “transformar” — retomando o simbolismo alquímico da transmutação dos metais e aplicando-o a um plano superior.
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Quanto à responsabilidade ligada a seus poderes, o romance afirma que devem sempre lembrar que o que for feito por eles, os homens atribuirão ao seu Deus.
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O tema de semelhante Centro ou Ordem invisível não é invenção de
Meyrink; aparece sob formas variadas nas tradições e nos ensinamentos esotéricos de todos os povos — ver R. Guénon, O Rei do Mundo, Paris, 1939.