Planos de Interpretação

Guillaume De Lorris. Le Roman de la Rose. El libro de la Rosa

A narrativa alegórica de Guillaume de Lorris não precisa ser perfeitamente coerente, e seu valor reside sobretudo na captação fiel do processo amoroso em toda a sua complexidade.

A primeira parte do Roman de la Rose articula-se em três planos simultâneos — literal, alegórico e doutrinário —, sendo o terceiro o que define sua recepção como manual de doutrina cortesã.

A multiplicidade de sentidos — frequente na literatura medieval — assegurou a fama do Roman de la Rose, tornando-o acessível a leitores de diferentes idades e graus de maturidade.

O livro de Guillaume de Lorris despertou cedo o interesse dos homens de letras, a ponto de receber, já em meados do século XIII, uma adição anônima de 78 versos destinada a dar-lhe um desfecho.

O êxito do Roman de la Rose deve-se, na realidade, à extensa continuação de Jean de Meun, e não à primeira parte isolada.

A partir do último quarto do século XIII, o Roman de la Rose passa a ser identificado sobretudo com a obra de Jean de Meun, em um momento de profunda crise dos ideais corteses e da sociedade feudal.

A continuação de Jean de Meun enriqueceu o conteúdo do Roman de la Rose, mas em troca fez perder grande parte da carga lírica que Guillaume de Lorris lhe havia dado.

A multiplicidade da obra resultante transformou o Roman de la Rose em um dos livros mais famosos da Idade Média, objeto de abreviações, traduções, reelaborações e usos os mais variados.

O debate em torno do Roman de la Rose na França é apenas uma amostra da popularidade alcançada pela obra de Guillaume de Lorris e, sobretudo, pela continuação de Jean de Meun, cujo êxito se estendeu com inusitada rapidez para fora do país.

A fama do Roman de la Rose chegou cedo à Coroa de Aragão, sendo Ramon Llull o primeiro a manifestar sua influência.

No início do século XV surgem os primeiros testemunhos concretos da circulação e da leitura do Roman de la Rose nos ambientes nobres e eclesiásticos catalães.

Ainda no primeiro quarto do século XV, Jordi de Sant Jordi, poeta e servidor de Afonso o Magnânimo, compõe obras de caráter alegórico sob influência evidente do Roman de la Rose.

No reino de Castela, a situação é curiosa: o Marquês de Santilhana possuía um manuscrito da obra completa e alude a ambos os autores no Proemio e carta, sendo muito possível que tenha sofrido a influência de temas, ideias e formas nela contidos.

Antes mesmo do Marquês de Santilhana, o poeta Francisco Imperial, genovês radicado em Sevilha, demonstra conhecimento inequívoco do Roman de la Rose — ao menos de sua primeira parte.

O caminho do poeta enamorado do Roman de la Rose ficou praticamente abandonado no reino de Castela, à falta de escritores que pudessem afirmar com o orgulho de Francisco Imperial: