Arte de Amar

Guillaume De Lorris. Le Roman de la Rose. El libro de la Rosa

A primeira parte do Roman de la Rose, redigida por Guillaume de Lorris, é antes de tudo uma arte de amar, como o próprio escritor declara desde o início.

Seguindo Rita Lejeune, a obra de Guillaume de Lorris articula-se em torno de sete núcleos fundamentais e um breve prólogo.

O final da obra permanece incerto, sendo possível apenas conjecturar dois desfechos alternativos.

A obra necessariamente terminaria com o despertar do poeta, fechando o quadro narrativo aberto no início do Roman de la Rose.

O protagonista percorre os jardins, recebe os conselhos do Amor e é vítima da inimizade do Ciúme, numa estrutura narrativa típica do romance medieval de busca ou demanda.

O desdobramento do personagem feminino em personificações alegóricas permite certa objetividade na análise do amor, ao mesmo tempo que o lirismo do poeta intervém na interpretação de suas próprias vivências.

Guillaume de Lorris teve notáveis precursores na tradição alegórica, tanto latina quanto vernácula.

O cenário da narrativa possui, segundo C. S. Lewis em seu livro clássico sobre a alegoria de amor, um sentido literal e um sentido alegórico distintos.

O comportamento do enamorado segue uma gradação precisa, segundo os tratadistas do amor desde o século XII.

O momento em que o enamorado decide confessar seu amor marca uma inflexão na narrativa, desencadeando resistências alegóricas diversas.

Após o afastamento imposto pela amada, o poeta reflete sobre o amor, busca um confidente e retoma a relação de forma mais contida.

O enamorado pede um beijo à amada, que, apesar do temor de pecar contra a castidade, acaba por concedê-lo.

A partir desse momento, elementos externos à relação intervêm, levando ao fechamento alegórico da obra no ponto em que o texto se interrompe.