A transição do pensamento iluminista e romântico substituiu a visão do homem decaído pela valorização dos direitos humanos e deslocou a metáfora da escada do espaço para o tempo.
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Mudança de perspectiva a partir de Rousseau, passando a conceber o homem como filho da natureza e enfatizando as capacidades e direitos humanos.
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Visão de Milton no século dezoito de que a liberdade humana depende da vontade de Deus, sendo o homem incapaz de alcançá-la ou desejá-la por si mesmo.
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Concepção de Byron e Shelley de que o desejo de liberdade nasce no próprio coração humano e exige o confronto com divindades antigas vistas como projeções da tirania.
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Identificação do Purgatório de
Dante como a representação literária ideal da escadaria do ser e da ascensão humana ao seu lugar cósmico.
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Localização da base da montanha do purgatório na superfície esférica da Terra e do topo no jardim do Éden, onde a alma recupera o livre-arbítrio.
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Necessidade de extensão da peregrinação humana para além da vida pós-morte, mesmo para os santos.
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Expectativa de um modelo revolucionário baseado nas capacidades humanas após o colapso da cadeia do ser, assemelhando-se a uma Torre de Babel concluída.
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Expressão desse desafio na obra filosófica Fenomenologia do Espírito de Hegel, referencial para programas de pensamento revolucionário.
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Trajetória da argumentação de Hegel partindo da experiência sensorial ordinária até a formação de estruturas maiores que englobam suas próprias negações.
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Alcance do conhecimento absoluto e ingresso no mundo do espírito infinito após a assimilação de todas as negações.
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Presença de uma metáfora inconsciente de escadaria em espiral que confere contorno narrativo à filosofia de Hegel.
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Predomínio de metáforas espaciais para apontar o mundo superior, em contraste com a menor frequência de trajetórias descendentes.
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Estrutura em cone do inferno de
Dante percorrida da base ao ápice em direção ao centro da Terra, exemplificando a associação de descidas ao demoníaco.
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Associação do movimento espiral descendente ao turbilhão ou redemoinho da morte.
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Origem subterrânea das forças benéficas ao homem no Prometeu Libertado de Shelley, onde a personagem Ásia descende à caverna de Demogorgon para impulsionar a queda do deus tirano Júpiter.
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Omissão no texto de Shelley sobre o modo como se opera a descida física da heroína.
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Desaparecimento do apelo literário de cenários geográficos cuja inexistência se tornou evidente.
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Deslocamento de reinos perdidos na literatura do século dezenove de Rider Haggard na África ou Ásia para o espaço sideral nas narrativas da era do helicóptero.
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Transferência necessária das imagens de escadarias do espaço metafórico para o tempo metafórico devido à perda de credibilidade dos mundos superiores ou inferiores.