Todo símbolo e todo escrito de natureza esotérica encerra necessariamente pelo menos dois sentidos distintos, sendo o primeiro aparente e perceptível à primeira vista, aplicável à realidade deste mundo, e o segundo secreto e profundo, referente aos mistérios de outro plano; na obra de Miguel de
Cervantes, deparamo-nos com uma vasta variedade de refrães que possivelmente detêm essa dupla significação, onde o sentido cabalístico, ainda que pareça desconexo do contexto imediato, foi sutilmente sinalizado pelo autor ao comentar a elegância de Sancho Pança em citar provérbios, independentemente de sua pertinência óbvia.