Aos quinze anos, Giacomo Leopardi escreve uma história da astronomia onde resume as teorias newtonianas, e sua contemplação do céu noturno inspira seus versos mais belos, com imagens de leveza do bonito inatingível: os pássaros, uma voz feminina que canta numa janela, a transparência do ar, e sobretudo a lua.
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O milagre de Leopardi foi ter tirado da linguagem todo o seu peso até torná-la semelhante à luz lunar.
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Cita-se a “Canto notturno di un pastore errante dell'Asia”: “Dolce e chiara è la notte e senza vento, / E queta sovra i tetti e in mezzo agli orti / Posa la luna, e di lontan rivela / Serena ogni montagna.” (Doce e clara é a noite e sem vento, / E calma sobre os tetos e em meio aos pomares / Pousa a lua, e ao longe revela / Serena cada montanha.)
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“O graziosa luna, io mi rammento / che, or volge l'anno, sovra questo colle / io venia pien d'angoscia a rimirarti…” (Ó graciosa lua, eu me lembro / que, há um ano, sobre esta colina / eu vinha cheio de angústia a te admirar…)
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“O cara luna, al cui tranquillo raggio / danzan le lepri nelle selve…” (Ó cara lua, sob teu tranquilo raio / dançam as lebres nos bosques…)
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“Già tutta l'aria imbruna, / torna azzurro il sereno, e tornan l'ombre / giù da' colli e da' tetti, / al biancheggiar della recente luna.” (Já todo o ar escurece, / torna azul o sereno, e voltam as sombras / das colinas e dos tetos, / ao branquejar da lua recente.)
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“Che fai tu, luna, in ciel? dimmi, che fai, / silenziosa luna? / Sorgi la sera, e vai, / contemplando i deserti; indi ti posi.” (Que fazes tu, lua, no céu? dize-me, que fazes, / silenciosa lua? / Surges à tarde, e vais, / contemplando os desertos; depois te pousas.)