nos anos sessenta, são a primeira e imprescindível referência para sua reflexão sobre a mente
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O Veda é “assimilável a uma microfísica da mente mais do que a outras categorias”
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A Índia começa e termina com algo que, só no início do Novecentos, através da lógica, se tornou central no Ocidente, quando foram descobertos os paradoxos da teoria dos conjuntos
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O interesse dos autores védicos é voltado exclusivamente para a fenomenologia do ritual, demonstrando a consciência do vínculo indissolúvel entre liturgia e consciência: “Um estado da consciência tornava-se o pólo em torno do qual giravam, em uma meticulosa codificação, milhares e milhares de atos rituais. A mitologia, e assim também as especulações mais temerárias, apresentavam-se como uma consequência do encontro fatal e disruptivo entre uma liturgia e a embriaguez”
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O ponto de partida sobre a fisionomia da mente é buscado nos versos do Ṛg Veda X.129, que narram os instantes anteriores à formação do cosmos, quando o universo jazia nas trevas como “água indistinta”
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A criação é um ato psíquico iniciado pelo tapas, “o ardor”, e a consciência é a descoberta das conexões (bandhu) entre ser e não-ser
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Os versos indagam: “Quem sabe realmente? Quem deve declarar aqui? — de onde tinha nascido, de onde vinha esta criação? […] Esta criação — de onde veio a ser, se foi criada ou não — só quem do céu mais alto vigia este (mundo) o sabe com certeza. Ou talvez não saiba…?”
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Antes de tudo existir, existia ou não existia a só Mente, pois “a atividade de que depende e desce toda a criação é somente mental”
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Manas precede tudo, conferindo à mente um privilégio ontológico: “O mundo pode até ser infinito, mas não conseguirá cancelar aquela entidade que desde sempre o observa”
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Prajāpati, que é manas, desmembrou-se para criar o mundo, e cada sujeito é parte dessa grande mente descomposta, em contato perene com o invisível: “Prajāpati: o ruído de fundo da existência, o zumbido constante que precede cada perfil sonoro, o silêncio atrás do qual se sente o operar de uma mente que é a mente. É o Es do acontecer, quinta coluna que espia e sustenta cada evento”
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Prajāpati interroga-se constantemente sobre si mesmo com a pergunta “Ka” (“quem [sou]?”), incluindo na concepção do divino uma insegurança radical sobre a própria natureza
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As Upaniṣad, textos para iniciados, introduzem o princípio da identificação do absoluto (brahman) com o Self (ātman), resumido na expressão “Tat tvam asi, “isso tu és””