O fato de a Torá ter sido escrita com fogo negro sobre fogo branco permitia, segundo Najmânides, cabalista de Gerona, que ela fosse lida de duas formas antitéticas — como escrita contínua sem divisão em palavras, ou do modo tradicional composto de preceitos e relatos.
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Na leitura contínua — exigida pela natureza do fogo — preceitos e relatos se dissolvem e a escrita torna-se uma sequência de nomes
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Outros cabalistas de Gerona foram mais longe: a Torá inteira deveria ser lida como um único nome — o Nome do Santo
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Azriel apressou-se a afirmar que a descendência de Esaú, enumerada em Gênesis 36 e geralmente tida como passagem supérflua, não era fundamentalmente distinta do Decálogo — ambos eram partes individuais de um mesmo edifício, igualmente indispensáveis
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A Sabedoria saiu da boca do Pai em forma de nuvem, havia erguido sua tenda nos céus antes da criação do mundo e chegava até o Pai pela coluna de nuvem onde estava seu trono.
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A Sabedoria declarou: “Como uma nuvem cobri a terra”
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Tenda e coluna de nuvem reapareceriam quando Moisés se retirou à “Tenda do Encontro” e uma coluna de nuvem cobriu a entrada — forma pela qual Yahvé quis falar com Moisés “face a face, como fala um homem com seu vizinho”
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A Sabedoria, porém, transitava do interior da tenda ao interior da coluna de nuvem — primeiro passo de uma viagem incessante por todos os recantos do cosmos
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A Sabedoria percorreu o círculo do céu sozinha, caminhou pelas profundidades dos abismos, pelas ondas do mar e por toda a terra, enriquecendo-se em cada povo e em cada nação — encontrando por toda parte substância de que se alimentar, mas pensando sempre em sua tenda
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Um dia o Pai fez-lhe um sinal, e a Sabedoria concluiu seu relato: “E assim me estabeleci em Sião”
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Nessa mesma terra, um dia, o Filho — seu irmão — não encontraria “onde reclinar a cabeça”