As soluções para o problema da forma da pesquisa são buscadas em duas direções opostas: a exigência de uma continuidade absoluta e uma linguagem esférica, e a exigência de uma descontinuidade mais ou menos radical — a literatura de fragmento.
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A literatura de fragmento predomina tanto nos pensadores chineses quanto em Heráclito; os diálogos de Platão a ela se referem; Pascal, Nietzsche, Georges Bataille e René Char mostram sua persistência essencial.
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Com Aristóteles, a linguagem da continuidade torna-se a linguagem oficial da filosofia — mas essa continuidade é a de uma coerência lógica reduzida aos três princípios de identidade, não-contradição e terceiro excluído, e o Corpus do saber que Aristóteles institui é apenas um conjunto mal unificado.
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Será preciso esperar a dialética hegeliana para que a continuidade, engendrado-se a si mesma, indo do abstrato ao concreto e adjungindo o “parâmetro” da duração e da história, se constitua como uma totalidade em movimento, finita e ilimitada.
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Na dialética hegeliana, a parte da descontinuidade revela-se insuficiente: dois opostos, porque são apenas opostos, estão ainda muito próximos um do outro — e a contradição não representa uma separação decisiva, enquanto a diferença entre o “desconhecido” e o familiar é infinita.
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O fato de que o Sábio aceite desaparecer na instituição que é a Universitas é significativo: a palavra que ensina não é em nada aquela que a estrutura mestre/discípulo revela propícia a abrir-se sobre uma ruptura fundamental, mas se contenta com a tranquila continuidade discursiva.