A noção baudelairiana de pecado original derivada de
Maistre, somada à ignorância da Redenção e à ideia particular de Deus, impede aceitar o
Baudelaire crente, cristão e católico que comentadores como G. de Reynold, Du Bos, Stanislas Fumet e Jean Massin pretendem impor.
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Maistre restituía ao vocábulo católico seu sentido etimológico de universal, e
Baudelaire compartilha essa perspectiva ao postular uma religião universal e ao ver no misticismo o traço de união entre paganismo e cristianismo.
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As declarações de
Baudelaire à mãe, de 1853 a 1861, revelam um Deus ausente e inapreensível, cuja existência não se traduz em intervenção na vida do poeta.
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A prece de
Baudelaire se reduz, em essência, a um pedido de força para cumprir deveres e trabalhar, não a uma súplica de intervenção divina miraculosa, e sua concepção de Deus como reservatório de força e de justiça segue de perto as ideias de
Maistre sobre a eficácia quase mágica da oração.
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Fusées descreve a oração como operação mágica e recorrência elétrica da dinâmica intelectual.
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A dinâmica moral de Jesus e os sacramentos como meios dessa dinâmica reaparecem nos Journaux intimes nos mesmos termos usados por
Maistre.
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A oração baudelairiana se aproxima de preceitos de higiene e condutas morais, tornando-se último recurso contra a queda reiterada da vontade.
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O ser exterior e invisível permanece indefinido pela negativa e sem existência real, o que leva
Baudelaire a perguntar à mãe como fazer para crer que Deus intervém em sua vida.