Via do Graal (Sansonetti)

Sansonetti, 1982

<!–StartFragment –>É preciso restabelecer a junção entre o visível e o invisível, entre a Terra e o Céu, entre o corpo e a alma. Mas, paradoxalmente, o que é ruptura entre dois mundos pode tornar-se um sinal, um chamado… Esse vazio atrai… E o ser predestinado descobre que essa fissura entre a Terra e o Céu é justamente a <em>Via</em>… Em algum lugar da Terra—isto é, em nosso ser terrestre—, a ruptura deixou uma marca, uma falha na densidade do mundo… <em>Perceval</em> a encontrou, e seu nome revela essa descoberta. Não seria ele aquele que desvendou o <em>Segredo do Vale</em>? (<em>La Légende Arthurienne et le Graal</em>, Paris, 1952, p. 68, nota 2), como lembra J. Marx, e isso porque soube obedecer ao conselho do misterioso <em>Pescador</em>:

<em>“Suba ao longo dessa fenda talhada na rocha e, quando chegar ao topo, verá diante de si, em um vale, uma casa onde habito”</em> (<em>Le Conte du Graal</em>, transcrição em prosa moderna por J. Ribard, Paris, 1979, p. 67-68).

Na rocha, símbolo da densidade e do peso do mundo, uma fenda se abre e se ergue: assim é a <em>Via</em>!

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