Sansonetti – Graal e Alquimia

O autor examina o simbolismo na Segunda Continuação de O CONTO DO GRAAL, atribuído a Wauchier (ou Gautier) de Denain, doravante designado como «pseudo-Wauchier» em razão das dúvidas que suscita sua identidade real. Muito de sua tese de doutorado, Le Corps de Lumière dans la littérature arthurienne é aqui aportado, buscando aproximações não somente com o hermetismo, mas também com a tradição celta e a tradição germânica anteriores ao Cristianismo. O autor escolheu deixar os signos da obra falarem por si mesmos em articulação com outros signos, estabelecendo paralelos com o mundo dos hermetistas, mas também com toda uma emblemática do passado celta e germânico. Este signos podem ser definidos com Forças que tomam Forma… O autor deve muito de sua matriz intelectual a Henry Corbin e Gilbert Durand. Os principais temas tratados, dos quais retiraremos extratos, são: percepção de um outro corpo; centros de Força e a Forma; as armas siderais; a pedra e o raio; a visão alquímica do ser; os sete castelos das forças primordiais.

Se fosse necessário escolher um nome repleto de mistério, envolto em sacralidade, no coração do mundo medieval, seria certamente o do Graal, o centro luminoso desse universo.

Conhecemos o tema “inventado”—no sentido etimológico do termo, ou seja, “redescoberto”—por Chrétien de Troyes por volta de 1190: seu herói, um jovem galês ainda sem nome, perdido em uma terra desolada, em um caminho que não leva a lugar algum, encontra um misterioso Rei Pescador, que o acolhe em seu castelo. Ali, ele assiste ao cortejo do Graal: carregam uma lança cuja ponta—um fenômeno surpreendente!—sangra, seguida de um vaso do qual emana uma luz sobrenatural… O Graal!

Yves Bonnefoy resume assim o problema suscitado pela dimensão mágica desse nome: “Um graal é um vaso ou, mais precisamente, uma grande travessa funda. O termo é registrado, de uma forma ou de outra, em vários dialetos franceses. Mas um graal não é o Graal. Além da enigmática origem da palavra, que, curiosamente, intrigou os contemporâneos de Chrétien—já que alguns tentaram justificá-la com etimologias fantasiosas—, há o mistério desse objeto vislumbrado por um instante em um castelo desconhecido” (Apresentação de La Quête du Graal, Paris, 1965, p. 14).

*PS: PAUL-GEORGES SANSONETTI. GRAAL E ALQUIMIA*