Contra-Céu V

<poesie>

Ela é seu sacrifício e sua criatura, pois representa toda a Roupa da qual se despojou.

Ela é seu conhecimento, pois ele a possui, diante dele único sujeito, projetada, objetada, único objeto.

Ela é seu amor, pois é Tudo o que ele não é.

O Mistério é reversível: teme a loucura.

Aqui tocamos nas velhas lendas sobre a criação, ou melhor, sobre a emanação do Mundo. A base comum das antigas cosmogonias, transposta da ordem do macrocosmo àquela do microcosmo, torna-se o esquema de uma ascese individual praticamente aplicável a cada instante.

Ora, é em uma aplicação prática imediata que reside o sinal discriminador da verdade e do erro metafísico.

Uma metafísica poderia renascer como Ciência dos limites ascéticos.

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*PS: R. Daumal, Le contre-ciel (1936; ed. completa póstuma 1955; prêmio Jacques Doucet 1935), Gallimard, col. Poésie, 1970.*